“Antes de vir”
(R. Cordeiro)
Abri
a porta, estava escuro. Tateei a parede em busca do interruptor. Fazia
frio. Tirei meu paletó e o apoiei nas costas da cadeira, deixei a maleta
no chão e afrouxei a gravata que me sufocava o dia inteiro. Caminhei
até a estante, desvirei o único copo que estava sobre a bandeja branca
e coloquei mais ou menos três dedos de whisky. Dei a primeira golada,
desceu queimando na garganta, mas isso não me impediu de dar o segundo
gole.
Coloquei
a garrafa sobre a mesa redonda que ficava no centro da sala. Tinha uma
luminária que descia do teto ate quase encostar na mesa. Usava essa
mesa para jogar poker, adoro poker! Mas com algum adversário é melhor.
Acendi um cigarro, fumei em quatro tragadas. Dei mais uma golada no
whisky e acendi outro cigarro.
A
sala ainda estava escura. A única luz acesa era a que iluminava diretamente
a mesa em que eu estava sentado. Fiquei observando os movimentos que
a fumaça do cigarro fazia sendo rebatido com a luz, era como um balet.
Já
era a segunda noite consecutiva que eu fazia à mesma coisa. Levantei
fui ate cozinha, abri o armário que ficava em cima da pia e peguei
uma caixa que estava atrás do pacote de macarrão e a coloquei em cima
da mesa, ao lado da garrafa de whisky. Abri a caixa e peguei o revolver
calibre 38 que lá dentro estava. Tinha conseguido essa arma há dois
anos na feira da rua de baixo. Verifiquei se ainda estava com as balas
lá dentro. Claro! Eu não tinha ninguém nem pra mexer no meu revolver.
Abri
o tambor da arma, e derrubei todas as balas dentro da caixa. Analisei
uma por uma meticulosamente, eram quase todas idênticas, exceto uma
que estava com um leve descascado na ponta.
Vai
ser essa! – pensei.
Coloquei
a bala de volta no tambor, girei-o com força e o fechei bruscamente
contando com a sorte pra saber aonde a bala pararia.
Repousei
a arma na mesa. Dei mais um gole na bebida, enchi o copo, e acendi outro
cigarro.
Onde
foi que eu errei? – disse franzindo o cenho e com a mão na testa.
–
Isso vai nos levar a noite inteira!
Uma
voz que eu não sabia de onde vinha respondeu ao meu pensamento!
Peguei
a arma rapidamente e apontei para todos os lados. Abri o tambor e coloquei
a única bala que nele estava na agulha. O meu desespero me permitiu
que essa fosse a única atitude que eu pudesse tomar.
–
Quem esta aí? – gritei apontando a arma para a escuridão. – Responda
se não vou atirar!
–
Não perca seu tempo. – respondeu a voz com precisão e um tom desconcertante.
– Você não vai desperdiçar a bala que escolheu com tanto carinho
pra acabar com a sua miserável vida.
–
Quem esta aí? Dá pra falar?
O
medo me consumia cada vez mais, não sabia como reagir, tinha uma arma
com uma bala apenas, e a escuridão que não estava ao meu favor.
–
Acalme-se e sente-se, garoto, te garanto que essa é a decisão mais
sensata que você vai tomar. – disse a voz.
Não
sabia o que fazer. Pela minha indecisão resolvi obedecer ao que estava
sendo-me imposto, mas não perdi a postura, continuei apontando a arma
pra onde quer que fosse.
–
Abaixe essa arma, não vou lhe fazer mal, aliás, pior você não pode
ficar. Coloque-a na mesa pra conversarmos é só o que eu quero.
Coloquei
a arma sobre a mesa com muita calma. a voz estava certa.
–
Tudo bem, fiz o que você pediu... Agora apareça! – exigi.
Alguém
foi surgindo na minha frente, se retirando da escuridão, passo a passo.
Usava um terno preto riscado de cinza, e uma camisa vermelha por baixo,
difícil confessar, mas era muito elegante. Tinha um charuto em sua
mão esquerda. Sentou à minha frente, cruzou as pernas e jogou a ponta
de cinza em cima da toalha verde que cobria a mesa.
–
Tá mais calminho? – perguntou o que deixara de ser uma voz.
–
Calmo? Como você quer que eu esteja calmo? Você entra na minha casa
não sei como, me ameaça, e quer que eu esteja calmo?
–
Sim, é isso que eu quero! E é isso que você vai fazer.
Ele
apontou para mim com a mão direita e como se uma força invisível
me obrigasse a encostar na cadeira, algo sobrenatural. Fiquei absurdamente
apavorado e estático.
Não
conseguia definir bem o seu rosto, minha vista estava meio turva, talvez
fosse a fumaça que nos cercara, mas naquele momento não queria achar
muitas explicações cientificas para o fato.
–
Quem é você e o quê você quer? – perguntei.
–
Acho que você faz perguntas demais. Nem espera a resposta de uma e
já me prepara outra, que complexo! – ironizou.
Peguei
a arma. Aproveitei que agora estava vendo o alvo e apontei para ele,
não perdendo tempo. Mas quando me dei conta, ele não estava mais ali.
Quando pensei em me levantar, senti uma mão em meus ombros me levando
de volta a cadeira.
–
Bom... Vou responder, mas não porque estou me sentindo ameaçado, quero
deixar isso bem claro, e sim porque lhe propus uma conversa. Não importa
quem eu sou, mas porque estou aqui. Isso é o suficiente que precisa
saber.
Ele
estava sussurrando no meu ouvido, não sabia nem se tinha forças para
reagir. A voz dele me hipnotizava de uma forma brusca e inexplicável.
–
Tudo bem! Mas o que você faz aqui?
–
Vim por sua causa!
–
O quê?
–
Você faz muitas perguntas, por que não faz logo o que estava pretendendo
fazer? – disse ele impaciente.
–
Eu? Mas não estava pretendendo fazer nada.
–
Claro que estava. Está querendo me fazer de bobo?
–
Olha só! – disse sem paciência. – Não sei nem quem é você,
e esta querendo decidir por mim o que eu ia ou não fazer?
–
Decidir? Não. Acompanhar as suas decisões. Só resolvi vir aqui pra
ver de perto. – Deu mais uma tragada no charuto.
–
Posso tomar um gole do seu whisky? – disse ele já pegando a garrafa
e levando o gargalo em direção à boca.
–
Acho que não tenho alternativa, né?
Tomou
meia garrafa do meu último whisky em quase uma golada só.
–
Agora sim! Voltando ao assunto, tenho muitos nomes. – disse enxugando
a gota que escorria de seus lábios escuros e rachados. – Lúcifer,
satanás... Mas prefiro que me chame de... Pai. Assim me sinto mais
completo.
–
Você deve estar brincando! Não quer que eu acredite nisso? – disse
perturbado.
–
Não. Sinceramente eu não entendo vocês humanos: acreditam em coisas
que nunca viram, e quando vêem dizem que não podem acreditar. Eu é
que estou desacreditado com a crença de vocês.
Disse
isso olhando em meus olhos, não sei o que me deu, mas me arrepiei por
inteiro, a certeza do que estava dizendo estava quase me fazendo acreditar
como se fosse por algum tipo de mágica.
–
Se você é a morte, ou o lúcifer, ou quem quer que seja, tudo bem...
Mas o que você quer comigo?
Ele
deu mais uma tragada no charuto, jogou novamente as cinzas em cima da
mesa e soltou a fumaça que saía preta da sua boca. Respirou fundo,
e apoiou os cotovelos na mesa.
–
Vim desabafar! Pronto falei. – deu outra tragada no charuto com a
mão visivelmente trêmula.
Eu
só podia estar sonhando... não tenho amigos, nem namorada. As pessoas
me olham de rabo de olho. Não recebo visitas, e quando recebo...
É o diabo querendo desabafar! Ah, não
é possível! Esse whisky deve estar com algum alucinógeno.
–
É possível sim, na verdade vim aqui porque não agüento mais, a minha
“morte”, ela está um saco, não agüento mais fazer a mesma coisa,
e percebi que estamos em situações parecidas, então resolvi vir aqui
antes que formalizássemos a nossa condição de “senhor” e “escravo”
por toda eternidade – disse encostando-se na cadeira.
–
Ta bom! Vou entrar na onda, mas... Sr.....
–
Pode me chamar de Lu. – disse interrompendo-me.
–
Lu... Definitivamente, em que eu posso ajudá-lo?
–
Em quase nada! Cansei da condição obrigatória de ter que aceitar
em minha casa todos que querem sair da vida que o seu pai deu pra vocês.
E mesmo assim nós acolhemos todos de uma forma muito receptiva. Pra
você ter noção, nos até arrumamos algum tipo de trabalho para todos
que chegam lá em casa! Tenho que concordar que não é o trabalho dos
sonhos de ninguém, mas como não são nem são nem meus filhos, estou
fazendo ate demais. Sinto-me responsável por uma organização de reabilitação,
só que eles nunca são reabilitados.
Não
tive reação alguma.
Ele
me olhou com um jeito frio, nunca havia visto aquilo antes.
–
Ninguém pode me ajudar, nem seu “pai”, até por que ele é o culpado,
foi ele que me expulsou de sua casa. Só o que estou tentando fazer
é mudar a minha estratégia.
–
Estratégia? Mas comigo? – perguntei inseguro.
–
Claro! Alguém melhor do que você, alguém que não tem medo de mim,
alguém que prefere a mim à seu pai! A morte do que à vida!
Por um
momento eu pensei, não sabia o que, mas ele estava certo mais uma vez,
– Droga! De onde vinha tanta certeza?
– Da experiência
de vida que adquiri depois de tanto viver, ou morrer, como
queira!
Ele
respondeu mais uma vez aos meus pensamentos, isso não era possível!
–
Olha aqui, garoto! Vou ser objetivo. O que eu quero, é que venha até
mim porque deseja, e não por obrigação. Quero que escolha, e não
que seja submetido. Já que não está dando valor ao que seu “pai”
te deu, então que valorize o que eu vou te dar... Mas que não se arrependa,
porque não tem volta! Quero que me chame de pai. Os que morrem de velhice,
ou doenças não me interessam... Esses são julgados pela comissão
responsável. Só que pessoas como você não têm escolha, são meus
e pronto! Mas eu quero que saiba pra onde estão indo, não quero enganar
ninguém, quero que venham por gosto. Seu pai que se diz tão “justo”,
não está te dando a escolha, viver ou morrer, essa é a escolha? Não!
Se fosse, ele não te puniria por ter escolhido morrer. então definitivamente
isso não é escolha! Porque se você escolher morrer, ele vai acabar
com a tua vida, mesmo depois de morto. As pessoas vivem com medo da
morte e se matam por medo da vida.
Apoiei
os cotovelos na mesa e a cabeça nas mãos, não sabia mais o que pensar.
Ou eu estava louco, sob efeito de alucinógenos, ou o diabo estava ali
na minha frente mesmo, e bebendo o meu whisky! Acho que a última opção
estava me parecendo mais sensata.
–
Garoto, as eleições estão chegando, em breve “ele” vai decidir
quem fica e quem sai da sua casa... E depois que ele decidir, sabe o
que vai acontecer? Ele vai acabar com a minha casa, sabe por quê? Porque
eu não vou ter mais serventia a ele, se o mal não existir ele não
vai poder ser bom. E aí? Como ele vai ser adorado? Enquanto ele não
vence as eleições, ele precisa de mim. Tomar o lugar dele eu já desisti,
a campanha dele é ótima, tem muitas pessoas a seu favor, e eu ainda
estou crescendo nas pesquisas. Mas se eu convencer as pessoas a virem
comigo e a se matarem mais, tudo fica mais fácil. Lutamos por igual
e finalmente conseguirei ser chamado de “pai”, e ser adorado, acho
que não é muito que estou pedindo, é?
Levantei,
e peguei a bíblia que estava dentro do armário, e coloquei sobre a
mesa.
–
O que me diz sobre isso?
–
Prefiro não comentar. – disse o diabo cruzando os braços.
–
Claro que tem que comentar, tem haver com você. – empurrei o livro
em direção a ele.
–
Já que insiste... Considero isso uma historia de Frank Miller, uma
adaptação conturbada da verdade. A única verdade que consta aí,
é o que vocês chamam de velho testamento... só deveriam mudar o nome
para atualíssimo testamento. Já que é pra adaptar vamos adaptar direito.
Toda personalidade descrita aí do “seu pai”, é verídica, e é
a mesma até hoje, só não é mostrada pra não perder votos. Realmente
ele é um gênio, e vocês, uns tolos.
–
Deixe-me ver se entendi, existe uma eleição que vai ser disputada
entre você e deus...
–
Que vocês conhecem como julgamento final, mas ele colocou com esse
nome só pra parecer que vocês não têm escolha, para que vocês pensassem
que a decisão depende dele, mas não, depende de vocês...
–
Deus precisa de votos, e você também. Só que ele já tem o lugar
dele garantido, e você precisa dos votos pra não ser despejado. As
pessoas que segundo ele, não prestam, que são os suicidas, ele manda
diretamente pra você, pra você reaproveitar de alguma forma. Logo,
eu não presto! E Você precisa de carinho...
–
Não... respeito! – me interrompe mais uma vez. – E não diria votos,
mas súditos. Precisamos de súditos... quem tiver mais, vence. É simples!
– completa o diabo.
–
Respeito. Isso me leva ate a pergunta principal... Por que ele quer
isso tudo? Perguntei enchendo o copo com o resto do whisky que sobrou.
–
INVEJA! – respondeu soltando a fumaça que estava em seus pulmões.
– Ele viu que eu tinha chances de crescer, e acabaria tomando o lugar
dele. Então me demitiu e usou isso pra ampliar seus negócios, criando
a Terra S/A, e consecutivamente vocês. Só que o monopólio não teria
graça, então permitiu que eu me tornasse seu concorrente principal
e único. Você só se torna o maior se tiver alguém menor que você.
Só que ele não imaginou que eu cresceria tanto, então resolveu apelar
para os núcleos eleitorais, que vocês chamam de igrejas... E abriu
caça ao Diabão aqui. Esses pastores me pagam! Mas o que eles não
sabem é que a passagem deles já esta carimbada rumo à minha humilde
casa... aí eles vão mudar de caçadores à caça em dois tempos!
Tomei
um gole do whisky e acendi outro cigarro, a história parecia fazer
muito sentido, mas se não fosse alguém se intitulando como o diabo
na minha frente.
–
Você acredita em deus? – disse ele?
–
Não! Ele nunca fez nada pra me ajudar. – respondi com raiva.
–
Então você acredita em mim – disse pegando o copo da minha mão.
–
Não necessariamente... – peguei o copo de volta. – Posso não acreditar
em nada, concorda?
–
Claro, mas agora você tem motivos de sobra pra acreditar, ate porque
você esta me vendo, é mais fácil acreditar no que você vê, não
é verdade? Esse é um dos pontos que eu sempre ganho. Ele fica fazendo
esse misteriozinho de só vai aparecer no “juízo final”, balela!
Eu prefiro o boca a boca, e estou jogando limpo, abrindo o coração
e dizendo toda a verdade.
–
Tá bom... Eu acredito em você.
–
Sério? De verdade? – disse o diabo empolgado.
–
A história me pareceu bem convincente, e eu não tenho nada a perder.
Mas e agora? O que devo fazer?
–
Nenhum sacrifício, basta fazer o que já ía fazer... Até porque agora
mesmo é que você não tem motivos mesmo pra continuar aqui, não é
mesmo?
–
E o que eu vou ganhar?
–
Ganhar? – disse o diabo espantado – Você ía ganhar algo antes?
–
Não. Mas agora eu descobri que poderia ganhar algo, então eu quero.
–
Já te dei muita coisa: a verdade. Isso não basta? Tudo que você só
ia descobrir se morresse, eu te dei aqui, em alguns minutos. Muitos
morreram tentando descobrir isso, e muitos ainda morrerão pela verdade.
Você é um privilegiado, garoto!
–
Faz sentido. – disse com segurança.
–
Então faça o que tem de fazer: pegue a arma, aperte o gatilho e venha
para a minha casa. Se tudo correr bem, ainda ganhará um emprego de
brinde.
–
Tudo bem...
Peguei
a arma, verifiquei se a bala ainda estava lá dentro, claro! Se não
tinha ninguém pra mexer na arma, não ia ser o diabo que se atreveria
a fazer isso. Por incrível que pareça ele me pareceu gente boa, tinha
uma visão totalmente diferente dele... Era elegante, verdadeiro, solicito,
só bebeu o meu whisky todo, mas como eu não ia precisar mais, não
tinha problema. Foi a minha primeira companhia desde que eu vim morar
nesse apartamento. Ele era legal. Então vou continuar com o meu objetivo
e conseqüente mente ajudar um amigo.
–
Tudo bem, estou pronto, qual seria o melhor lugar pra eu atirar? –
indaguei indeciso.
–
Eu sugeriria dentro da boca, direcionado ao cérebro. Tenho certeza
que não vai sentir nada.
–
Como tem tanta certeza?
–
Sou especialista em suicídios, já vi de todas as formas possíveis.
–
Então tá. Seja o que deus quiser!
–
Pára! Pára! Pára! Eu que estou aqui na sua frente te ajudando e você
ainda roga a deus? Isso é um absurdo. – disse o diabo indignado.
–
Tudo bem, desculpe... é a força do habito. Então vamos lá.
–
Retire o que disse e recomece.
–
Tudo bem, SEJA O QUE O DIABO QUISER!
–
Adoro ver o sangue se espalhando, é quase que orgástico. Agora vem
a dúvida, será que o corpo vai cair ou ficar sentado na mesma posição?
Esse questionamento sempre me consome. Só que o mais incrível, é
saber como os seres humanos são fracos e tolos! Com alguns minutos
de conversa e meia dúzia de papo furado, trouxe esse idiota para mim.
Não quero nem imaginar no que outros podem fazer com horas, dias, meses
ou até anos de mentiras! Uns se beneficiam por quatro anos, outros
pela vida toda, eu tenho a vantagem de me beneficiar por toda a eternidade.
Quando será que eles vão aprender a não acreditar mais no primeiro
que faz algumas promessas insólitas? E eu nem precisei contar a parte
dos anjos... Bom, melhor assim. Pra uns ganharem, outros têm que perder.
Baralho! Me fez lembrar poker. Ótimo jogo, só que como qualquer jogo,
o melhor é jogar sozinho, assim eu manipulo, blefo, roubo, e assim
eu ganho sempre.
A
vida é como um jogo de poker: a vitória é do mais inteligente; não
depende de sorte. Mas se por acaso ela blefar com você, basta dar uma
manipulada de leve, que a mesa vai ser sua, e o prêmio? O prêmio...
É você ter a chance de tentar descobrir se no final, o corpo vai cair
ou ficar sentado no mesmo lugar. Como eu adoro a minha vida! Ou melhor,
a minha morte!