O CÃO
Autor: JOÃO PEDRO SAVEDRA MARIANO SAVEDRA
Muitos dizem
que é um ritual, aquele homem amarrado na sua própria casa. Mãos
e pés unidos naquela corda que dilacera sua pele frágil. A dor e a
humilhação é grande, pois ele estava nu. Ele grita e geme de dor,
e só quem pode ouvi-lo são aqueles loucos, insanos e psicopatas, doidos
por rock, além do seu velho companheiro.
Um cão, da raça papa-ovo, de cor preta e olhos avermelhados, observa
seu dono ser torturado e morto. São cinco homens, cabeludos, tatuados
e musculosos. Todos usavam roupas pretas e com uma estampa escrita bem
assim: LOVE THE DEATH.
Eles são os autores dessa cena bizarra; mataram aquele homem na sua
própria sala. Lá estava aquele corpo ao redor de várias velas, um
corpo nu marcado por facas extremamente afiadas. E o único que não
entendia nada era o seu cão, um animal irracional.
No dia anterior, a polícia achou o cadáver. Só não conseguiram desvendar
quem foram os culpados daquela brutalidade. Ao lado do corpo encontraram
um cão.
A família do falecido ficou com o corpo e eles fizeram um enterro digno.
Ninguém nunca teve notícia do cachorro.
Os dias se passaram e algo de estranho começou a acontecer. Misteriosas
mortes ocorriam na cidade.
Já era o segundo assassinato seguido, tendo como vítimas dois homens
fortes e cabeludos, com pinta de roqueiros. A polícia só sabia que
o autor desses crimes era um animal com dentes muito afiados.
Houve, mais tarde, a terceira e a quarta mortes, cujas vítimas tinham
as mesmas características das outras.
Porém, na quinta morte a polícia conseguiu dar um tiro no responsável
por esses crimes. Era um cão de cor preta, raça papa-ovo e com os
olhos avermelhados que ainda conseguiu fugir.
E, ao mesmo tempo, era noticiado na televisão o fim de uma banda chamada
LOVE THE DEATH, com todos os seus cinco membros assassinados por um
animal que, descobriu-se depois, tratar-se de um cão, que ninguém
sabe de onde veio.
No cemitério, em cima do túmulo do jovem morto naquele ritual, a polícia
encontrou um cão, ensangüentado e morto por um tiro.
Até hoje, não se conseguiu desvendar esse mistério.
FIM
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