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O IMPÉRIO DOS INFERNAIS AUTOR: JOSÉ MANUEL NUNES VILAR
O IMPÉRIO DOS INFERNAIS
José Manuel Nunes Vilar
O dia chega à sua
fim, as sombras abandonam o fundo dos poços, o interior de escuras
fábricas doutrora, as aves pretas invocam seu deus com cantos arrincados
da gorja, os instantes de silêncio devoram a valentia e sementam o
pânico. O futuro é incerto, o passado desconhecido.
Monstruosas figuras
devoram a alma dos homens e mulheres, sobem às árvores e exibem ao
nevoeiro preto as cabeças humanas ainda com restos da médula espinhal
a fumear por estar quente num ar gélido. Os berros de suas vítimas
entram em mi e causam um grande tormento.
Agacho-me baixo um
telhado de telha, tremendo, apertando os joelhos face meu peito com
força, fechando os olhos, abrigando-me com a discriçom da soidade,
com a esperança de sobreviver mais um dia. A espingarda e seus escassos
cartuchos apenas concedem um bocado de segurança. Ouço as unhas na
cerâmica e os vidros do tétrico alpendre a vibrar, percebo sua respiraçom
acelerada como a de um cavalo após umha carreira. A pólvora e o chumbo
nom os dissuadem e ainda o estrondo chama por mais pra repôr o valeiro
dos abatidos. Dizem que o cobarde adquire valentia quando sabe que todo
está perdido e talvez seja essa coragem coa que agora blindo meu peito
e pego na arma pra disparar às cegas. Sei lá, quiçá resisto até
os primeiros beijos do sol no céu e então chegue até as torres de
Vilavelha.
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