LINHA PARALELA

AUTOR: GUILHERME M. PRAT

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Linha Paralela

Por: Guilherme M. Prat

Eu me vejo em uma festa, uma festa importante em um casarão luxuoso, me vejo em terceira pessoa como um repórter que acompanha uma celebridade, mas eu me vejo, e ao meu redor, vejo pessoas ricas, homens com o típico “smoking” e gravata borboleta, cabelo penteado para trás com gel, e as mulheres, as mulheres estonteantes com vestidos caros, sapatos de salto alto, e jóias, muitas jóias, algumas exageradas, outras na medida certa, anéis de diamante com detalhes em ouro, eu as vejo mas essas pessoas não me vêem, eu sou invisível, então me aproximo, e ao chegar bem perto, toda a glória e luxo que os convidados esbanjavam se tornam horror, os convidados se tornam figuras mortas, secas, podres, o casarão que antes parecia um palácio dourado, agora se apresenta como um calabouço, as paredes douradas com quadros se tornam azul crepúsculo e os quadros, instrumentos de tortura.

Eu vejo um espelho e ao olhá-lo vejo o casarão e as pessoas dançando e bebendo, isso me espanta, o que aconteceu?

Então decido sair do calabouço, mas ao abrir a porta, me deparo com um ser igual a mim, ele tem a mesma cara que eu, imita meus movimentos, mas de repente ele começa a me olhar com espanto, com medo, eu me viro acreditando que a algo atrás de mim, ao me virar vejo um espelho, e nele vejo uma figura distorcida em negativo, volto a me virar e vejo a mim mesmo me olhando com medo, sinto o mesmo medo, ele estranha, e eu estranho da mesma forma, é então que percebo que ele não me imitava, eu o imitava, sem a intenção, nossas ações são iguais, pensamos da mesma forma, reagimos da mesma forma, somos iguais, eu sou o negativo dele.

Vejo uma mulher chamando ele, ela então se aproxima e toca seu ombro, eu a sinto tocar no meu ombro, viro a cabeça e vejo a mulher, estou de volta no casarão e a minha frente esta meu negativo, ela pergunta o que eu estou fazendo, então olho para frente e vejo uma porta para um banheiro, sem nada de especial, esqueço o que vi, vou embora da festa e simplesmente apago o fato da minha memória, afinal se contasse a alguém, quem acreditaria?

É isso que acontece quando duas linhas paralelas de tempo, se tornam perpendiculares.

Fim

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