O Inferno de Mikaro
Por Linx
Mikaro corria desesperada. Seu desespero
podia até ser sentindo exalado pelos seus poros. Seus pés se alternavam
rapidamente, enquanto ouvia atrás de si os passos dos dois homens se
aproximando.
Ficava cada vez mais apavorada. Não
queria fazer nada a eles, só queria se livrar daquilo, mas eles insistiam,
eles insistiam nela! Mikaro então corria e tentava manter sua mente
ocupada, tentava não ser dominada pelo desespero, pois ele era a chave
e ela não mais queria ver aquilo acontecer de novo.
Os dois corriam em fúria, tentando entender
ainda o que acontecera e como a garota fizera aquilo com seus três
amigos.
Hataro, já há muito tempo no ramo, jamais
vira tal coisa. Era apenas um sequestro comum, de outra garota rica
e de repente aquele inferno! Aquela cena horrenda não saía de sua cabeça...
Ela começava a se cansar e sua visão
ficava turva. Seus pés então se entrelaçaram e ela caiu no chão,
arrastando-se pelo asfalto molhado. Os dois então chegaram, parando
para respirar e recuperar o fôlego que perderam depois da perseguição.
-Vadia, desgraçada! O que você
fez? Gritou um deles
-Eu...
-Diz logo, porra! Gritou o outro,
dando um golpe com um dos pés em seu estomago.
-Socorro!
-Não adianta gritar, sua puta.
Ninguém vai ouvir
-Cansei dessa merda. Homisuki ,
me dá sua arma
A arma passou da mão de um para o outro,
indo parar de encontro a cabeça de Mikaro. Seus ouvidos aguçados pelo
silêncio ouviram o estalo da arma sendo engatilhada. O desespero então
tomou-lhe conta, seus olhos se fecharam e novamente ela sentiu sua carne
tremer, enquanto o no ar ouvia-se um som extremamente alto e estridente.
Os dois então caíram no chão, aos gritos. Seu sangue começava a se
expandir dentro das veias e eles podiam sentir seus músculos rasgando
aos poucos, até culminar numa explosão. Os pedaços dos dois voaram
pelo ar, cobrindo todo o local.
Os olhos de Mikaro então se abriram
de novo e seu vômito novamente lavou o chão.
Novamente aquela cena. Carne e vísceras
embebidas em uma gosma de sangue coagulado espalhada pelo chão. Suas
mãos foram ao chão, enquanto sua cabeça era posta entre elas em meio
ao seu pranto. Mikaro não entendia aquilo, nada aquilo parecia fazer
qualquer sentido. Era algo louco, insano, que começava a fazer sua
mente rodar em meio aquele mar de sangue e tripas. Só entendia o desespero,
a chave que despertava o inferno e agora o sentia cada vez maior dentro
de si.
Aos poucos foi se levantando, contendo
aquele desespero dentro de si. Olhou por mais uma vez aquela cena no
chão e uma golfada ameaçou sair junto a um pranto, mas ela se conteve.
Apenas se endireitou e olhou para frente, respirando fundo.
Seus pés então começaram uma nova
corrida, que terminou em uma avenida lotada de pessoas. Todas dirigiram
seus olhares àquela menina cheia de sangue e pedaços de carne.
Alguns vomitaram, enquanto outros gritavam e corriam apavorados. Aqueles
gritos, aquele desespero! Sua mente ficava cada vez mais perturbada,
cada hora sua sanidade parecia se dissipar. Seu desespero aumentava
cada vez mais e sentia que agora já não mais cabia dentro de si aquilo.
Sentia então sua carne tremer, caía
no chão gritando, enquanto o zumbido mais alto que nunca. À sua volta
as pessoas, uma a uma, caÍam no chão gritando e logo seus corpos explodiam.
Os gritos ficavam cada vez mais altos, o desespero aumentava, enquanto
a dor de Mikaro ficava cada hora maior. Ela então sentia agora seu
próprio corpo começar a rasgar, e seu sangue começar a vazar por
entre a pele.
Seus braços então se abriram, deixando
que aquele inferno estourasse seu corpo e o de todos presentes.
A cidade agora se silenciava e coberta
de sangue e carne repousava sobre o sol quente do verão.