NUNCA DUVIDE DOS SEUS SONHOS

AUTORA: MARI MARTINS

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NUNCA DUVIDE DOS SEUS SONHOS

Autora: Mari Martins

Dizem que quem procura acha. Todo ser humano procura alguma coisa. Eu procurava todas as explicações existentes em relação à morte. Levantava questionamentos em tudo, até mesmo da existência de Deus. Minha avó falava que se Deus existia, o diabo também tinha a sua morada em algum lugar. Aprendi a olhar para o firmamento e procurar Deus sentado nas nuvens com seu cajado apontando para a terra. E quanto mais me tornava adulta, meus olhos já não olhavam mais para o céu. Fui aprendendo com a vida que Deus não tinha morada. Mas o demônio sim, ele morava aqui na terra. E estava bem visível aos meus olhos. Naquele dia acordei cedinho, não tinha o costume de madrugar. No momento estava tentando descobrir o que queria da vida. Sabia que era bonita, e me sentia bem quando os homens me olhavam com paixão. Tinha a pele branca e perfeita e meu rosto oval era emoldurado por longos cabelos negros onde sobressaiam ainda mais meus olhos verdes. Tinha o rosto de uma beleza selvagem num corpo harmoniosamente perfeito. Maryane era o meu nome, não me sentia bem com ele. Não entendia porque minha mãe tinha colocado aquele nome. Pelo que me lembro não existia nenhuma Maryane na família. Como estava deixando meus pais e meus irmãos nervosos com meu estilo de vida, fiz um acordo com todos e fui morar sozinha na capital. Ficaram horrorizados já que era filha única e tinha quatro irmãos ciumentos e marxistas. Sozinha poderia resolver a minha vida. No momento, vivia a noite e dormia de madrugada. Devo ter saído a minha avó, uma velhinha que ainda falava o que sentia, fazendo com que algumas pessoas ficassem magoadas com sua sinceridade. Quando ela me apoiou para sair de casa, foi contra os pensamentos do meu pai. Os dois nunca se entenderam. Como filho único ele a culpava de alguma coisa. Nunca procurei saber o motivo dos dois viverem brigando sempre, desde que me entendia de gente. Minha avó era assim, contra todas as diretrizes de um mundo normal. No fundo sou como ela, a procura dos mistérios que rondam a vida. Amo o silêncio da noite, os ecos distantes, o murmurar do vento em minha janela e minhas viagens para lugares distantes através dos meus sonhos. O sonho é a realidade daquilo que não vemos. Sonhamos e muitas vezes percebemos que os sonhos têm algo de verdade. Nunca duvide dos seus sonhos. Quando sonho viajo para vários lugares, conheço pessoas que nunca vi e ando em cidades completamente estranhas. Sou uma pessoa viajada, e sem gastar nenhum tostão. Um sonho marcou minha vida e deixou-me na certeza de que quando sonhamos nossa alma sai do corpo. Estava a sonhar, encontrava-me em uma cidade onde as árvores eram frondosas e antigas. Árvores seculares, com seus troncos já gastos pelo tempo. Senti-me como se estivesse em minha casa, pois o lugar me trouxe uma irrealidade nunca vivenciada antes. Era noite, sobrevoei a cidade e senti a brisa cálida bater em meu rosto como uma carícia. O cheiro das árvores era um bálsamo para meu corpo. Senti em meu coração uma felicidade completa, uma liberdade verdadeiramente pueril, onde o corpo vive uma leveza espiritual sobrepondo a realidade. De onde estava vi um pequeno cemitério com suas catacumbas pintadas de branco. Desci até lá, um vento frio balançava as árvores e ao longe ouvi o grito de uma coruja. Estremeci de medo e senti como se algo estranho me levasse até um túmulo. Era de mármore escuro, com as lajes corroídas pelo tempo. Destacava-se dos outros porque seu mármore negro brilhava diante da luz da lua que incidia sobre ele criando uma atmosfera transcendental. A parte da frente tinha o formato de uma cruz e no centro uma fotografia desbotada estava protegida por um vidro opaco e grosso. Abaixo tinha um nome e uma data. Aproximei-me, e ao olhar nitidamente para a foto senti-me congelar. Não pude acreditar no que estava vendo! Não, estava enganada. Fechei os olhos e ao abri-los vi a foto no mesmo lugar. Aquele rosto era o meu! O penteado diferente, os mesmos olhos claros e a mesma boca de lábios carnudos e sensuais. Os cabelos estavam presos num coque alto com um camafeu em formato de borboleta. O vestido de gola alta plissada dava um ar de austeridade. Olhando a data de nascimento e da morte fiquei estarrecida. Tinha nascido em 12 de Agosto de 1930 e falecido em 20 de Outubro de 1950. Mentalmente fiz as contas e deduzi que tinha morrido com 20 anos de idade. Li as palavras escritas na lápide, Maryane, levada ao encontro do senhor que com sua benevolência a receberá perdoando-lhes todos os pecados. Saudades de todos. Meu nome era o mesmo, uma grande coincidência. Aquelas palavras não soaram bem aos meus ouvidos. Que pecados teria eu cometido? E o sobrenome da minha família porque não foi colocado? Quem seria aquela estranha que não tinha sequer um nome completo? Mas era meu rosto! Não tinha dúvida. Porque aquele sonho? Qual o seu enigma? Quanto mais os dias iam passando meus pensamentos não saiam daquele túmulo. O sonho estava modificando a minha vida. Precisava fazer alguma coisa. Tinha a facilidade de sonhar e viajar para outros lugares poderia voltar a cidade onde tinha encontrado o velho cemitério. Como num ritual, naquela noite deitei cedo e fiquei esperando o sono chegar. Virava na cama de um lado a outro e nada. Meu costume de dormir tarde adaptou o meu cérebro a virar a noite e dormir durante o dia. Não consegui, passei mais uma noite insone e quando me levantei tinha os olhos congestionados e grandes olheiras deixaram meu rosto abatido. À tarde o sono começou a fazer efeito, dormi e estava novamente na velha cidade. Fui até o cemitério e parei em frente ao velho túmulo. Comecei a procurar alguns indícios que me levassem a descobrir aquele mistério. Estava revivendo um passado onde tinha sido a protagonista de algo que teria de descobrir. Meu futuro dependia de tudo aquilo, pois minha vida estava se transformando num inferno. Procurei algo no túmulo que me desse alguma pista. E bem ao lado, quase escondida, estava uma placa de bronze com letras escritas bem desenhadas a frase, “Que meu amor dure para toda a eternidade e meus pensamentos unam-se aos seus através dos tempos”. Para sempre. Guilherme Sales de Oliveira. Quem seria aquele homem? Qual a importância que tivera na vida daquela mulher, no caso eu. Acordei e coloquei o nome do homem na minha agenda. Aquela mulher do passado estava mexendo profundamente com a minha vida. Agora tinha um nome completo para investigar. Os dias foram correndo e fui deixando o sonho de lado. Depois daquele último sonho, não sonhei mais com a cidade. Foi um alívio em minha vida. Como sou ainda descrente de certas coisas, dei a desculpa da mente criativa, já que as explicações para certos sonhos ainda são confusas. Fui levando a vida. Fazia Faculdade à noite e encontrei um trabalho de meio expediente durante o dia. Continuava a viajar para outros lugares nos meus sonhos, mas não fui mais até a cidade onde estava o túmulo da mulher estranha. Com os dias comecei a chamar aquela mulher de estranha para não ter nenhuma ligação com ela. Queria fugir da realidade e de uma verdade que ainda não me sentia pronta para enfrentar. Estava trabalhando num escritório de advocacia, já que estava cursando direito. Era um escritório onde reunia os melhores e mais famosos advogados do país. Uma tarde fui chamada a sala do maior acionista do escritório. Ouvira falar que há muito tempo tinha se afastado da advocacia deixando seu filho no comando de tudo. Não entendia o que aquele senhor queria comigo, já que era apenas uma simples estagiária. Entrei em sua sala com o coração aos pulos. A sala estava na semipenumbra e pensei logo que aquele senhor poderia ser um velho sem escrúpulos. Já tinha ouvido comentários de velhos ricos que gostavam de bolinar suas empregadas. Senti raiva e um medo surdo por estar sozinha com uma pessoa que não conhecia e mais numa penumbra inadequada ao ambiente. Fiquei preparada para tudo, não ia ser tão fácil, ele que viesse para cima de mim. O velho estava de costas sentado numa cadeira de espaldar alto. Virou-se lentamente acendendo a lâmpada que ficava acima de sua cabeça focalizando bem o seu rosto. Percebi que ainda era um homem bonito, de uma beleza madura, daquelas que não acaba com o tempo. Não tirava os olhos do meu rosto e comecei a ficar inquieta. Quando falou sua voz saiu tão emocionada que meu coração começou a pulsar loucamente.

    -Aproxime-se – disse ele sem tirar os olhos do meu rosto.

Senti como se algo me empurrasse diretamente ao seu encontro. Parei a sua frente e fiquei observando seus olhos cheios de lágrimas.

- Você continua do mesmo jeito, tão bela quanto antes. Enquanto falava acariciava minhas mãos. Não sei porque naquele instante me senti paralisada. Do bolso do paletó tirou uma fotografia em preto e branco já amarelada pelo tempo. Senti cambalear, era a mesma foto do túmulo dos meus sonhos.

- Qual o seu nome? – perguntei-lhe sabendo de antemão a sua resposta.

- Guilherme Sales de Oliveira – sussurrou enquanto olhava profundamente em meus olhos. Quando a vi na sala, absorvida no trabalho, meu coração velho quase parou. Depois procurei saber o seu nome, o mesmo nome, é esse o mistério de tudo, nada muda, algumas pessoas é que não percebem o elo entre a vida e a morte. Faz anos que não venho ao escritório. Meu filho assumiu meu lugar há muito tempo. Fiquei viúvo e viajei para vários lugares. Mas hoje senti que algo me chamava até aqui. Tenho sonhado todos os dias com o velho túmulo e sei que tem ido lá em sonhos. Não diga que não, tenho visto você lá. Ficava de longe observando sua curiosidade e seu rosto perplexo. Lembra-se! “Para toda a eternidade”. O velho começou a falar emocionado todas as palavras escritas na placa. Nada mudou com os anos. Meu coração, meus desejos evoluíram com o tempo. Ficaram mais fortes.

- O Sr. está falando em reencarnação? Não acredito nisso.

- Acredita sim. Você apenas está tentando esquecer o que vê em seus sonhos.

- Vamos fazer de conta que tudo seja verdade. Qual o mistério que envolve a minha vida antes de morrer? Porque meu nome está no túmulo sem o sobrenome? O que fiz de tão ruim para ser perdoada?

O velho encarava Maryane sem mover um músculo da face. Por um segundo ela viu um brilho maligno em seus olhos azuis. Seu corpo tremeu de medo. Aquele homem guardava dentro de si algo sinistro, um mal que fez com que repentinamente se afastasse dele. Se teve uma outra vida, não tinha sido feliz e sabia que aquele homem tinha sido a causa de sua infelicidade. Pensando nisso, sentiu náuseas. De costas, foi se afastando em direção a porta. O homem permanecia no mesmo lugar, observando-a, como se visse a sua frente uma presa fácil. Quando fechou a porta atrás de si, Maryane correu até o banheiro e vomitou até não ter mais nada no estomago. Foi até a pia, lavou o rosto, ajeitou os cabelos e saiu em direção ao elevador. Não voltaria mais nunca aquele escritório. Enviaria sua demissão através de um fax. Para ela nada mais importava. Nunca mais queria ver aquele homem. Chegando em casa, pegou o telefone e discou para sua avó. Ao ouvir sua voz sentiu-se melhor. Não poderia abandonar a Faculdade, estava gostando do curso de direito. Tudo estava dando certo em sua vida, estudava a noite e trabalhava a tarde. Foi até a cozinha, comeu algo e sentou-se no sofá da sala ligando a TV. Observando bem seu pequeno apartamento sentiu-se feliz por ter algo que era seu. Tinha sido um presente dos seus pais. Antes não tinha observado o quanto aquele cantinho era tão importante para ela. Procuraria tirar aquele velho da cabeça. Pela idade deveria estar senil e precisando de algum tratamento psiquiátrico. Estava tão entretida em seus pensamentos que não ouvira o telefone chamar. Deveria ser seus pais, telefonavam todos os dias. Quando atendeu, uma voz rouca balbuciou seu nome e ela quase desfaleceu de medo. Como aquele homem conseguira o número do seu telefone? Que tola! Deve ter olhado sua ficha no escritório.

- Por que saiu do escritório sem comunicar? Você continua como antes, não mudou. Sua desobediência só me deixa mais excitado. Quando dormir vai sonhar e vamos nos encontrar no mesmo lugar.

- Seu velho depravado – disparou Maryane com raiva desligando o telefone.

Desligou a televisão e ficou deitada no sofá pensando o quanto sua vida mudara de repente. Como estava cansada sentiu os olhos pesarem de sono. Levantou-se, fez um café forte e tomou em pequenos goles. Não ia dormir. Precisava ficar alerta. Se dormisse, sabia que ia sonhar com o velho. Deitou-se no sofá, não queria ir para a cama. Se fosse poderia dormir. E dormir naquele instante era a última coisa que ela queria. Quando menos esperou estava dormindo, foi como se algo a fizesse dormir instantaneamente. Começou a sonhar no mesmo instante. Foi até a velha cidade e sentiu-se empurrada em direção ao velho cemitério, que estava iluminado pela luz da lua cheia. Maryane aproximou-se com o coração aos pulos e viu um homem em pé diante do túmulo. Fazia de conta que estava sozinho, mas sabia que ele tinha percebido a sua presença. Mesmo tremendo de medo, a mulher aproximou-se do homem e ficou boquiaberta quando ele levantou a cabeça. Era um jovem de uns 25 anos com os mesmos traços do velho. Seus olhos quando a fitaram estavam brilhantes de ódio. Não podia fugir. Seus pés pareciam presos ao chão.

- Sabia que viria. Espero-a todas as noites. Você alimenta meu corpo e meu espírito. Sonhar é a única coisa que me resta, o resto não importa. Sua presença, sua força, me transforma no jovem que fui. É uma pena, nada é completo. Sou jovem apenas no sonho. E só com a sua presença. Dizendo essas palavras o homem foi de encontro a jovem e parou abruptamente. Seus olhos chispavam de raiva. Ele não conseguia chegar mais perto. Um halo esbranquiçado emanava do corpo de Maryane e foi como ela se sentiu protegida. Sorriu de felicidade ao perceber que tinha uma proteção contra aquele homem, a forte energia que saia do seu corpo.

- Por que me odeia tanto?

- Não é somente ódio que sinto por você, mas um amor alucinado que corroeu meu espírito durante todos esses anos de minha vida. Se fosse só o ódio meu sofrimento seria menos, mas esse amor louco deixou um vazio em meu coração. Durante toda a minha vida não tive felicidade. A culpa, o ódio e a paixão dilaceraram meu coração. Por sua causa tornei-me o que sou. Um morto vivo.

Maryane, vendo aquele homem desesperado, não sentiu nenhuma compaixão. Como lembrar de tudo? Porque o passado foi bloqueado em sua memória?

- Tolinha – disse o homem sorrindo. Você não lembra porque não quer. É tão fácil, seu corpo está protegido porque sua mente criou barreiras contra mim. Não vou fazer-lhe nenhum mal. Venha, me abrace.

A curiosidade era tanta que Maryane sentiu-se tentada a obedecer. Precisava saber o que tinha acontecido com ela no passado. Concentrou-se e aproximou-se timidamente. Quando seus corpos se uniram, foi como se abrisse uma cortina e viu toda a sua vida passando em câmara lenta. Sua família cigana, a maldade daquele homem. Sua morte violenta, só porque repudiara sua paixão desenfreada. Como não conseguiu o seu amor, matou-a sem dó e piedade. Com raiva, soltou-se dos seus braços e caiu no chão desesperada. O homem aproximou-se tentando se aproveitar de sua fragilidade. Num ímpeto, levantou-se e enfrentou-o com ódio. Logo foi criada uma barreira de energia, jogando o corpo do homem longe.

Ao acordar, Maryane sentiu o corpo dolorido. Aquele homem era capaz de sugar toda a sua energia. Precisava encontrar uma maneira de descobrir o seu ponto fraco para se proteger dele. Aquilo não duraria para sempre. Enquanto estivesse aqui na terra, não poderia ver-se obrigada a agüentar a natureza diabólica daquele homem, como também deixá-lo invadir seus sonhos, por mais estranhos que fossem. Como parar de sonhar? Não poderia viver sem dormir. Então se lembrou das palavras do velho, “Você alimenta meu corpo e meu espírito”. Era isso, ele era alimentado através dos sonhos. Sua presença dava-lhe mais energia. Procuraria modificar o horário de dormir, já que vinha trocando a noite pelo dia. Dormia quase de madrugada e acordava na hora de ir a Faculdade. Muitas vezes perdendo algumas aulas. Isso não era certo. Procuraria estabelecer um horário para dormir e acabar com todo aquele sofrimento. Com a mudança, ela poderia se distanciar do velho. Seus sonhos mudariam de horário. Quando ele a procurasse no velho cemitério, não estaria lá.

Quando anoiteceu, Maryane tomou um banho morno e deitou-se. Concentrou seus pensamentos e logo uma sonolência tomou conta do seu corpo. Quando deu por si, estava no cemitério. Procurou o velho e não o encontrou. Faria isso todas as noites. Mudaria seu horário de dormir para não encontrá-lo. Acordou logo cedo com o corpo leve e feliz por ter se livrado daquele monstro.

Quando ia saindo para a Faculdade, ouviu o barulho do telefone e voltou para atender.

- Você não apareceu no cemitério – disse o velho com a voz rouca e cansada. Não brinque comigo. Posso ir mais além do que pensa.

Ouvindo aquela voz, a mulher sentiu-se desfalecer. Aquele homem tinha o poder de deixá-la fragilizada diante de sua maldade. Com raiva, desligou o telefone sem falar uma única palavra. Mais uma vez o telefone chama e ela não atende. Sem ânimo, não foi à Faculdade e ficou o dia todo pensando o que fazer de sua vida. Alguma coisa estava diferente, pensou com lucidez e veio-lhe a memória a voz cansada do velho. Seu plano estava surtindo efeito. Como ele se alimentava de sua energia e ela não fora aquela noite ao velho cemitério, estava ficando fraco. Sentiu uma força enorme tomar conta de si. Passou o restante do dia mais segura do seu plano.

Seguindo à risca todo o plano, Maryane não viu o velho por muitos dias no cemitério. Uma noite, assistindo ao Jornal local, viu uma notícia que a deixou aliviada. Anunciava a morte do velho e famoso advogado Guilherme Sales de Oliveira. Toda a sociedade estava consternada com a morte do homem que prestara grande serviço na área de Direito em todo país.

A mulher sorriu feliz. Que Deus a perdoasse pela grande felicidade. Tinha acabado seu pesadelo. Naquela noite, estudou até tarde e foi dormir já de madrugada. Quando pegou no sono, repentinamente estava no velho cemitério. Ficou lá observando o túmulo e não percebeu uma sombra ao seu lado. Instantaneamente, viu-se abraçada ao corpo do velho. Ao morrer, sua força tornara-se descomunal e ela não teve como se proteger.

Dois dias depois, seu corpo foi achado no apartamento. Tinha no rosto um ricto de agonia e dor. O velho havia cumprido o que prometera. “Para toda a eternidade”.





Fim

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