SÁDICAS LEMBRANÇAS

AUTOR: L REX

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Sádicas Lembranças

L. Rex

De pé em frente ao grande relógio de seu palácio, Conde Deth era atormentado por seus pensamentos sórdidos. Imaginava os terrores das sombras dos objetos da sala, olhava com terror as velhas pinturas da família, aqueles olhares de pessoas já mortas que viveram naquela casa, inclusive seus pais.

Apenas uma vela acesa em suas mãos, fato pela qual as sombras eram mais assustadoras. Conde Deth não gostava de luz, e por isso ordenou certa vez, que seus empregados tapassem com tijolos todas as janelas do velho palácio. Era um lugar escuro, tenebroso, o ar era irrespirável nos cômodos mais distantes da entrada.

O grande relógio marcava duas horas da manhã. Sentia-se só, mesmo com as dezenas de empregados daquele palácio. Realmente parecia estar só, e o conde tentava se lembrar de algo que acontecera há algumas horas. É importante a menção de que Conde Deth, embora completamente são intelectualmente, possui um grave problema de memória. Em algum curto espaço de tempo, provocado talvez por ânsia ou adrenalina, o conde tem uma parcial ou total perda da memória que ocorreu naquele curto período de tempo. Mas depois de algumas horas, ele consegue se lembrar, pouco a pouco, do que se passou.

Não conseguindo se lembrar ainda do ocorrido, andava pelo palácio, à procura de algum empregado. Normalmente procurava os quartos em que residiam suas empregadas mais jovens. Nenhuma estava lá. Preocupado, começou a correr por todos os cômodos, por todos os quartos de empregados.

Estava só em tão grande e terrível palácio, localizado ao alto de uma colina, costume comum aos nobres que querem seus palácios acima dos menos importantes.

Sem nenhum murmúrio, silêncio total, quebrado apenas pelo grande relógio que dava o seu sinal. Três horas, e nada de vida no local. Com desespero, Conde Deth imaginava que seus empregados haviam fugido. “Mas todos os seus pertences estão aqui!”.

Um pensamento lhe veio à cabeça: “Estou morto! Sim, é isso, meus empregados se revoltaram e me mataram... não, meus empregados não, todos os meus soldados são bem pagos, não deixariam alguém me matar...”. Decerto teria morrido de alguma doença...

Relapsos de memória chegavam à mente atordoada e sórdida do conde, mas eram muitas informações e imagens a serem digeridas em curto período de tempo. Lembrava-se de soníferos... Soníferos na comida e bebida... Ele colocando soníferos na comida e bebida dos empregados.

Lembrara-se de tudo. Estava mais vivo do que nunca. Dirigira-se à porta dos fundos, pela qual dava acesso ao jardim. Estavam todos lá, em uma belíssima imagem. Conde Deth via-os com tamanha felicidade que começou a bater palmas. “Bravo! Bravíssimo! Bela imagem. Devo ser um artista!”

Sórdida imagem, o jovem e sádico Conde Deth segurando a vela desgastada sobre um pratinho, contemplando duas fileiras de corpos nus e pendurados em duas fileiras de dezenas de árvores. Os corpos eram segurados pelos próprios intestinos, como que tivessem sido enforcados pelos próprios órgãos. Até mesmo os guardas estavam enforcados pelas tripas, naquela incrível cena, em contraste com o céu nublado e eventuais relâmpagos. Como o conde havia colocado todos aqueles corpos ali era algo que apenas ele poderia saber. Cada artista tem a sua técnica.

Fim

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