Subi
as escadas do sótão devagar.
Sabia,
perfeitamente, que a coisa estava lá. Ela dormia lá. Às
vezes, como Janet, folgava o laço de corda que cingia o seu pescoço
e, descendo de seu tamborete de enforcado, se punha a passear pelo assoalho.
Eu já ouvira, várias vezes, a sua ronda macabra e solitária.
Por
que subi? Não sei. Foi um arroubo de coragem que se seguiu
a uma mistura de pó colombiano e uísque paraguaio.
Mesmo
assim, senti medo.
A
lanterna focou o rosto exangue do enforcado. Ele sentiu a minha
presença e abriu um único olho.
Quis
correr, mas era tarde. Com seus fortes punhos, atou-me ao pescoço
o laço que segundo antes alçava a sua garganta. E, içando
a corda, esperou pelos meus estertores.
Depois
de situar, metodicamente, o tamborete sob os meus pés, que ainda tremiam
e já se punham a oscilar, adquiriu um aspecto aterrador, antes de se
diluir numa obscena massa putrefeita.
Há
quanto tempo isto aconteceu? Não sei... Meses, anos, décadas,
talvez...
Sei
apenas que ouvi passos subindo as escadas de minha morada. E um
vigor extraordinário se apoderou de minhas rígidas mãos,
enquanto um pavor indisível era expulso violentamente dos olhos
de meu sucessor.
FIM
(Quem tiver
inteligência, que calcule o número de MEPHISTO. Ele é o número de
um homem. E o seu número é 57).