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A Pedra Lunar e o Elemento X

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Escrito por Ronald Rahal   
Sex, 26 de Abril de 2013 00:00

 

A pedra lunar


A Pedra Lunar e o Elemento X


por Ronald Rahal


(Com base no conto “A Caixa Lunar” de Miguel Carqueija.)


A expedição já estava no seu 29°dia. Após atravessar a floresta amazônica terminara na serra de Pacaraima, numa pequena caverna próxima ao monte Roraima com quase três mil metros de altura, na fronteira entre o Brasil e a Guiana. Mesmo no final de século XXI, fizera-se necessário o uso de guias para levar os cinco norte-americanos àquela região ainda inóspita.


A história toda começara na base lunar brasileira e rumores de algo inusitado, alienígena, encontrado em suas imediações. O governo brasileiro rapidamente abafara os acontecimentos da base lunar, apossando-se em nome da segurança nacional do achado.


Após vários testes secretos realizados pelo novo laboratório multidisciplinar da USP, no Brasil, o material novamente ceifara a vida de alguns dos participantes desaparecendo misteriosamente de suas instalações ou assim diziam as fontes governamentais.


Um dos membros do departamento de física da Universidade acabara intoxicando-se com o estranho elemento X e fora levado para tratamento intensivo num hospital americano, com as despesas custodiadas pelo governo brasileiro, sem revelar a origem de seus males. Mas antes do paciente morrer, decidira repassar seu segredo a um dos enfermeiros e lhe contara sobre a existência do elemento de origem desconhecida e os poderes que podia provocar, bem como seu provável destino. Como a cobiça e a loucura são irmãs gêmeas que convivem no espírito dos homens, elas o levara a organizar uma expedição secreta para resgatá-la do seu último esconderijo.


O local revelou-se uma obra intencional do governo brasileiro com o propósito de escondê-la da humanidade. Conseguindo burlar a segurança, se apoderaram da estranha caixa e seu mais estranho ainda conteúdo.


Após fugirem do local, no retorno, dos cinco participantes americanos, três haviam sumido sem deixar quaisquer pistas. O medo tomara conta da expedição e os poucos guias confiáveis a haviam abandonado, tomados pelo mesmo terror. Antes de desapareceram numa das noites, diziam sentir na floresta a presença de uma coisa do outro mundo; um demônio que fora o responsável pelo sumiço dos três homens.  No princípio todos haviam imaginado que tal coisa não passasse de pura superstição dos locais, mas quando viram de relance esse algo na floresta que os acompanhava, mas nunca se apresentava, foram ficando ansiosos. Depois tomados de pânico quando o primeiro deles sumiu. Poderia ser, como os outros sobreviventes alegavam, um efeito colateral da coisa que carregavam, mas talvez não fosse, já que um a um, foram desaparecendo. Agora só restavam aqueles dois homens, perdidos, não só em relação à floresta como em relação a si mesmos. Mas nenhum deles queria abrir mão da estranha caixa com o seu conteúdo alienígena.


Collins, que conseguira poucas coisas na vida, viera com a intenção de mudá-la e transformá-lo num dos futuros senhores da humanidade.  As poucas informações que conseguira do moribundo diziam que a caixa era um misto de ligas desconhecidas que blindavam as emanações do seu conteúdo.  Todos os participantes haviam sido avisados de seus efeitos e pretendiam utilizá-la conforme um plano pré-estabelecido para dominar a humanidade. Mas parece que esse dia nunca chegaria.


Agora, os dois americanos, Collins e Sharp, estavam ao redor de uma pequena fogueira que tinham a muito custo preparado, esperando o dia retornar para tentar chegar à civilização. Uma chuva inesperada fizera com que perdessem a maior parte dos equipamentos, entre eles seus comunicadores e seus sistemas de posicionamento global. Praticamente estavam perdidos e incomunicáveis com o mundo.


E o medo da coisa que rondava a floresta e já levara alguns dos seus, os fizera perder o sono apesar do extremo cansaço dos dois remanescentes da expedição.


- Sharp - disse um dos exaustos sobreviventes. – Não durma. Aguente até amanhã. Aí cada um dormirá um pouco enquanto o outro ficará de guarda.


Sharp era o mais novo e como todo jovem, entrara na expedição mais pela aventura do que pelos resultados e agora se arrependia da decisão. Estava cansado, com medo e toda hora lembrava-se da casa que deixara para trás. Porque se deixara envolver? Ele quase não ouvia mais o colega e só queria deitar e dormir, mas o medo de ser levado também, pela coisa que rondava no meio da mais completa escuridão, o impedia. Se fizesse isso, talvez nunca mais acordasse. Ninguém mais saberia dele e seu corpo para onde quer que fosse levado, logo se juntaria à  floresta, como aquelas centenas de folhas que apodreciam no chão. Ele sentiu o colega o chacoalhar, mas estava cada vez mais difícil se manter vigilante.

- Collins, estou no meu limite. O que será que está lá fora, nos rondando? Será algum animal desconhecido?

 

- Não sei,  Sharp. Não sei. Só me lembro dos nossos dois últimos companheiros, William e Terence,  que haviam tomando a decisão de procurá-la e matá-la. Nunca mais os vimos. Só de lembrar-me  disso, não consigo dormir.


- Você... Você acha que conseguiremos sair dessa? Perdemos nossos equipamentos...


- Não se preocupe... Tenho certeza de que se continuarmos nesse rumo... Vamos sair naquela vila, onde contratamos os guias...


- Sei...


- Confie em mim Sharp.


- Eu confiei... Olhe onde estamos agora...


- É. Você não deixa de ter razão. Mas o sacrifício valera a pena.


- Posso vê-la de novo?


- Pode. – Collins talvez já estivesse afetado pela coisa que carregava e,  se não fosse pelo fato de ficar sozinho, sentia medo de ser afastado daquela preciosidade que o fizera vir para aquela parte de fim de mundo.


Ele tirou da mochila um pequeno embrulho e o abriu cuidadosamente, aproximando-a da luz da fogueira. Os dois por um instante se esqueceram do cansaço e olharam mais uma vez a caixa. Na verdade não era uma caixa. Era um recipiente oblongo, que precisava ser pressionado de certa maneira para abrir. Sua aparência era um misto de metal e pedra, algo que ficava difícil definir. Além,  é claro, do que parecia ser símbolos incrustados na sua superfície. Era claramente um artefato oriundo de um outro mundo.Como viera parar na Lua? Com certeza bem antes de o homem chegar lá. Talvez até mesmo antes da origem do homem no planeta Terra.


A visão daquilo que mudaria suas vidas  deu-lhes novo ânimo.


De repente,  um ruído os tirou daquele transe.


- Escutou isso Collins? Ela está de volta. Quem vai levar dessa vez? Você ou eu?


- Pare com isso, Sharp. Ela não vai levar ninguém desta vez. Eu já sei por que está nos rodeando.


- Sabe?


- Humhum...


- Pensei muito e só pode haver uma razão. Isso?


- A caixa?


- Exato. Ela o quer. Só não entendi por que não nos ataca de uma vez.


- É. Já que disse isso... Também não entendo.


Mas o ruído cessou e eles voltaram aos seus sonhos.


- Bem, logo amanhecerá e sairemos daqui.


Os dois tentaram manterem-se acordados, mas o corpo não obedecia mais e lentamente as pálpebras foram se fechando como se pesassem feito chumbo.


Collins acordou com a luz do Sol no rosto e imediatamente olhou ao redor. Sharp desaparecera.


Ele levantou com a arma em punho e observou o lugar onde Sharp estivera. Não havia sinais de luta ou dele ter sido arrastado. Apenas sumira como os demais. Ele seria o próximo.


Desesperado, abriu a mochila e a caixa ainda estava lá. Por que a coisa não a levara? O que faria agora? Sozinho?


Mas as suas preocupações não demoraram muito. Finalmente a coisa apareceu e não era nada bonita. Na verdade não dava para descrever o que era aquilo. Estava bem longe da fantasia dos cinemas sobre alienígenas.  Nada dos costumeiros cinza de cabeça e olhos enormes. Parecia mais um parente do personagem da Bolha Assassina.


Ele se perguntou se ela estava ali para matá-lo como fizera com os outros. Mas ele não se deixaria matar tão facilmente.


Apontou a arma na direção da coisa e mostrou a caixa para ela. – É isso que quer,  não é? Venha pegá-la. Aproxime-se mais... – E apontou a arma na direção dela. Talvez se aproximasse o suficiente pudesse matá-la. “Afinal,  todas as coisas vivas morrem, não morrem?”, perguntou-se mentalmente.


Mas aquilo não era um animal sanguinolento esperando o momento certo para dar o bote. Simplesmente apontou algo na sua direção e ele não viu mais nada.


Quando acordou, viu-se dentro de uma espécie de tubo de ensaio gigante. E ali ele não era o único. Todos que haviam desaparecido estavam ali. E não pareciam mortos. Pareciam estar dormindo.


O ambiente era reflexo de uma tecnologia sofisticada e isso demonstrava que a criatura, aliás, as criaturas que ali estavam, eram inteligentes. Não saberia dizer se isso era sinal de compaixão por outras formas de vida. Pelo menos ele, ao vê-la, não hesitara em querer matá-la.

Uma das coisas se aproximou e o tubo subiu, deixando-o frente a frente com uma delas. Aquilo parecia uma ameba gigante e não dava para ver onde ficava a cabeça ou as mãos. Mas daquela massa um tubo de alguma coisa projetou-se dela e colocou algo na sua cabeça que a fez doer um pouco, mas logo passou.


A coisa depois se dirigiu para uma formação cristalina e passou uma de suas partes por cima.


- Está me entendendo terráqueo? É assim que se chamam, não?

- Sim...Sim... Quem... Quem são vocês? O que fizeram com meus companheiros?


- Estamos desintoxicando todos. Assim como faremos com você.


- Do quê?

- Deste objeto que um dos meus ancestrais deixou em seu satélite, há centenas de milhares de anos, pela sua medida de tempo.


- Pensei que tivessem matado a todos eles.


- Por que faríamos isso? São formas de vida deste mundo. Nada nos fizeram. Apenas era nossa obrigação salvá-los de coisas que não entendem. Que não estão preparados para entender.


- Quem são vocês? De onde vêm?


- Viemos de muito longe. Somos exploradores. Assim como nosso antepassado, que perdeu um dos seus equipamentos em sua Lua. Quando ele esteve aqui, vocês ainda habitavam as árvores. Eram primitivos e rudes. Parece-me que continuam iguais.


Ele sentiu vergonha, porque tudo aquilo que era diferente, não poderia ser bom.


- O que pretendem?


- Assim que conseguimos localizar a caixa, estudávamos a melhor maneira de não causar impacto em seu mundo. E para nós foi a melhor ocasião quando decidiram tirá-la da montanha onde estava escondida.  Assim os seus não saberão o que aconteceu e nossa presença não será detectada. Vocês ainda não estão preparados para ela.


- O que é essa caixa afinal?


- Ela guarda um dos nossos dispositivos de exploração. Sintonizados com nossas mentes para ajudar no entendimento dos diversos mundos desta galáxia. Perigosa quando penetra a mente de alienígenas inferiores como os da sua espécie.


- Então é isso. Um simples amplificador da mente?


- Exato. E aumenta o perigo conforme o tempo de exposição. E também prejudica mentes não preparadas para sintonizá-la.


- E o que acontecerá agora?


- Após o tratamento, apagaremos de suas mentes o que aconteceu e serão devolvidos ao seu mundo.


Collins ficou calado. Não havia mais nada para dizer e sentia vergonha por ser como era e por pensar do jeito como pensava. Como representante da humanidade falhara completamente em dar um bom exemplo. Mas logo tudo se foi.


***

 

Todos estavam próximos da vila e se olhavam sem entender o que acontecera. Eles tinham vindo para a selva amazônica, mas não se lembravam do porquê. Talvez fosse para fazer algum estudo ou apenas conhecer aquela parte remota do mundo, ainda quase intocada pelo avanço da civilização.


Eles rumaram para a vila. Ainda estavam cansados e com muita fome. Talvez uma noite bem dormida, ajudasse a descobrir por que tinham vindo para aquele lugar.

 
Autor: Ronald Rahal

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