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O escolhido

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Escrito por Olavo Mattos   
Sex, 11 de Setembro de 2015 00:00

 

Escolhido


O ESCOLHIDO

(Antimatéria)

(Da série - “ Olaff Palmer: O viajante do Tempo. ”)

Por Olavo Mattos

 

 

 

Sinceramente o momento de maior tensão é o processo da decolagem, quando os motores e turbinas, a toda potência, vencem a força da gravidade, rompendo o ar, vencendo o arrasto na razão de subida, até o teto. São muitas as variáveis nesta equação. Meu nome é Klaus Werner Von Falles, 42 anos, doutor em física e astronomia, indicado ao premio Nobel, mas sem lograr o êxito, talvez a concorrência daquele ano tenha me impedido de chegar à Suécia. Talvez, se fosse judeu e não fosse brasileiro, já o teria ganho há muito tempo. Apesar de pais alemães e esse nome bárbaro, sou brasileiro nascido em Salvador-BA, quando meu pai, empresário, foi cônsul honorário da Alemanha por alguns anos, naquela cidade. Mais de trinta anos sem retornar ao Brasil, estou indo de volta para averiguar um sinal eletromagnético, que captei na semana passada.


Estava estudando astronomia com o telescópio da universidade de Berlim, quando um sinal estranho me chamou a atenção. Observando melhor, notei que indicava um ponto específico no hemisfério sul, no qual me pareceu estranho. Analisando os dados astronômicos e convertendo-os para coordenadas geográficas, constatei que estava exatamente na região da Chapada Diamantina, centro do estado da Bahia, no Brasil. Após alguns estudos, constatei sua veracidade, o que me encheu de curiosidade a respeito. Consegui também, com uso de um amplificador de sinais, demodular alguns sinais audíveis, como uma espécie de mensagem, ainda indecifráveis para mim.


Em velocidade e teto de cruzeiro, já em pleno voo, fui tentar dormir para descansar e passar o tempo.


Já acordei em pleno processo de descida e não precisa ser um físico renomado, para saber que o pouso, com certeza, não deixa de ser, também, um procedimento preocupante, pois não se pode errar e não estar no comando nessas horas, me provoca dúvida. Aterrissagem feita, passei pela alfândega e aluguei um carro no próprio aeroporto de Salvador; como não tenho parentes no Brasil, me dirigi para a Chapada Diamantina de imediato. Com informações e um mapa em mãos, sete horas depois estava lá, parei num posto de combustível e pousada, chamado Pai Inácio, como já estava escuro, jantei e fui dormir.


No dia seguinte, contratei um guia no mesmo posto, e pelas coordenadas seguimos viagem até um determinado ponto, onde começamos a subir um morro para o ponto equidistante. Realmente senti uma grande energia naquele local, e ficando mais forte à medida que se ia subindo. Paramos o veículo num determinado patamar e continuamos o resto da subida a pé. Chegando ao cume, instalei os equipamentos que trouxe comigo e ficamos esperando algo acontecer.


Acampamos no alto do maior morro da região, com uma espécie de barraca ou tenda, fiquei olhando aquele céu maravilhoso, há muitos anos não via um céu tão completo assim, a olho nu. Horas se passaram e de repente o meu medidor de ondas eletromagnéticas deu um sinal. Como falo algo que se parece muito com o português, disse para o guia ficar calmo, e que estava tudo sob controle. O instrumento deu um alarme sonoro, então corri, peguei uma pequena antena parabólica e apontei para cima, quando uma nuvem com relâmpagos se formou bem no alto e uma luz concentrada desceu até onde estávamos. Caí no chão por simples medo do que presenciava ali e o guia sem pestanejar correu desesperadamente morro a baixo, sumindo na ladeira escura. Não podia me dar ao luxo de ter medo, então me ergui e fiquei olhando, perplexo, até a luz se apagar. Tudo sumiu, e alguns minutos depois da taquicardia provocada passar, descansei, e fui dormir.


Pela manhã, quando acordei, coloquei o instrumental novamente no modo ativo e passei o dia inteiro dando um passeio pelo morro e a imensidão silenciosa do lugar. Quando a noite caiu novamente, acendi uma fogueira e me sentei. Meia-noite em ponto, tudo de novo, outra nuvem, relâmpagos e uma luz concentrada, bem perto da barraca montada, descia com o foco bem no centro do morro. Após um tempo me aproximei, a luz cessou e foi só. Por não ter mais ocorrências, já mais calmo, relaxei e deitei para tentar dormir.


Na manhã seguinte, voltei ao local da convergência de luz e para o meu espanto, estavam encravadas no lajedo, algumas letras ou sinais. Cheguei mais perto e identifiquei o que estava escrito, milimetricamente talhado em baixo relevo: ”Vá para o litoral: 15°31,33’45”S, 38°56,34’32”O.” Estremeci dos pés a cabeça, caí no chão, fiquei mais de meia hora em estado de perplexidade total, não conseguia acreditar no que estava lendo, uma mensagem direta, legível e consciente... Difícil de acreditar, até mesmo para mim, um cientista filósofo e sonhador. “Ninguém vai acreditar, serei motivo de piadas em qualquer meio científico!” — disse em voz alta.


Passado o choque, desarmei acampamento, desci e fui em direção ao litoral da Bahia, seguindo as coordenadas encravadas no chão do morro. Após oito longas horas de viagem, enfim cheguei perto do local geográfico, deixei o carro e fui a pé, pela praia, pois não tinha estrada nem caminho pelo continente. Apenas com uma mochila nas costas, levando água, alimentos, e com um GPS em mãos, parei no local indicado pela Lat./Long. À sombra de um coqueiro, sentei e percebi o quanto estava exausto, então dormi profundamente durante horas. Mesmo com todos os filtros solares preconizados, eu já estava vermelho, principalmente no rosto e nos braços.


Dois dias ali, vivendo como um náufrago em praia estranha, e nada aconteceu, nem pessoas transitavam naquelas paragens, uma bela praia no meio do nada. À noite acendia uma fogueira, tomava banho num córrego de água doce perto dali e assim estava vivendo, tentando pescar e comendo cocos com sua saborosa água.


No amanhecer do terceiro dia, ouvi um som agudo e estranho, olhei para a praia e uma onda do mar se formou mais alta, vindo, veio em minha direção sem arrebentar na areia. Ficou de pé na minha frente, com uns dois metros de altura; tentei não me assustar, respirei fundo, olhei e disse:


— Estou aqui.


Nada me respondeu, mas sabia que seja quem fosse, estava me analisando. Então novamente perguntei:


— Não é o seu desejo? Fala-me quem tu és e o que queres.


A onda, de pé, ganhou contornos mais arredondados e diante de mim respondeu:


— Meu nome é Kalibahweitan.


Naquele momento senti o mundo inteiro em cima de mim, o medo e a dúvida, tremeram as minhas pernas e caí na areia. Com a voz embargada, o adverti:


—Olhe, sou forte. Você é agressivo? Eu posso me defender e lhe destruir.


— Você pode me destruir? Então, pelo menos levante-se, sentado é mais difícil.


— Você vai me matar? — perguntei com voz trêmula.


— Se fosse fazer isso, por que lhe traria aqui?


Foi quando dei por mim e comecei a pensar como um cientista. Pensei um pouco mais e lhe perguntei:


— Se você não quer me fazer mal, o que quer?


O ser respondeu com uma voz estridente e grave, bem pausada e sem errar um milímetro na pronúncia.


— Prefere falar em que linguagem? — pergunta o ser estranho.


—Você tem domínio da língua alemã? Pois português, só aprendi em cursos que fiz na Alemanha... Você conhece?


— Conheço suas línguas e códigos. Sabe o porquê de estar aqui?


— Não senhor, gostaria de saber... Vai invadir o mundo?


— Já o invadi, você é mais do que isso que está dizendo. Se quisesse modificar ou destruir, não precisava nem entrar em contato. O principal motivo é o da nossa partida e escolhi você, para dizer algumas coisas que não sabe e lhe asseguro, não são boas, nem para a sua ciência, nem para esses viventes que são chamados de “humanos”.


— É tão grave assim? — perguntei já mais tranquilo e ciente da situação. “Se esse pedaço de mar me falar coisas lógicas e que não conheço, já pode ser algo positivo” — pensei.


— Para seu conhecimento, a esta distância, posso ouvir claramente seus pensamentos. Não sou um “pedaço de mar”.


— Desculpe-me. Foi só um pensamento. Gostaria de saber o porquê de tudo isso — perguntei com muito cuidado.


— Você sabe que está sendo seguido?


— Eu, seguido? Por quem?


— Ao mandarmos mensagens para você, não pudemos filtrá-las o suficiente para escondê-las totalmente, e os que se acham os donos do mundo, interceptaram alguns dos códigos; estão o perseguindo. Não vai demorar muito e estarão aqui, mas não se preocupe, só chegarão quando formos embora.


O dia já estava claro, então pude ver melhor sua silhueta. Água com areia, tudo misturado e mesmo assim nem sempre o vejo bem, parece um espectro em gradiente com as tênues cores pastéis da areia.


— Isso mesmo, você não pode me ver facilmente.


— Realmente, você lê meus pensamentos.


— Seu tolo humano, que nem seu próprio cérebro conhece. Tenho pesar da sua existência e a dos seus pares. Pena da escravidão física e mental imposta aos mais fracos, motivo pelo qual, pensamos em exterminá-los. Mas como a maioria de vocês não pensa ou age assim, resolvemos deixa-los por si mesmos.


Naquele momento senti vergonha e uma grande paz, ao perceber que ele conhecia a espécie humana. Fiquei tão tranquilo que já não tinha mais medo. Olhei fixamente para aquele ser desconhecido e fiz uma pergunta:


— De onde você vem, e sua sociedade?


— Não temos mais isso que você chama de sociedade. Vou te explicar o início e o que está acontecendo agora. Depois você tira suas conclusões lógicas, acho que vai conseguir.


— Ok. Acho que estou aqui para ouvir.


— Vou tentar resumir utilizando seus códigos para que possa entender:


“O universo era matéria pura, onde viviam diversos seres e civilizações em perfeita harmonia, apesar de todas as enormes distâncias, possíveis diferenças de costumes e origens. Eram trilhões de povos. Praticamente impossível aos seres comuns se deslocarem de um mundo para o outro.”


“O pluriverso era formado de uma imensidão inimaginável de matéria e vazio, onde uma nova forma estrutural de matéria, estava a milhões de anos-luz de uma outra qualquer, gama de matéria. Tudo era formado de espaço(alfa), matéria(beta), o todo(gama), os seres pensantes e não pensantes(delta). Tudo em perfeita harmonia energética, mecânica e sensorial.”


“Naquela imensidão inimaginável, viviam todos os tipos de povos e civilizações que, a não ser por alguma afinidade científica, nunca se misturavam e o sistema estava equilibrado.”


“O pluriverso, estudávamos desde cedo, se constituía de matéria e vazio, massa e plasma. A massa, a matéria(o ser); o vazio, o plasma(o não ser); e assim sucessivamente até um fim de tão grande magnitude, que nem o maior dos maiores dos nossos estudiosos sábios, poderia explicar, apenas imaginar e filosofar...”


“Numa ocasião, trezentos anos antes de acontecer(parâmetro do seu tempo), descobriram que um dos universos havia se desintegrado após uma grande explosão e que estava vindo de encontro ao nosso, em extrema velocidade. Foi uma grande aflição e desespero. Começaram a estudar, durante esses trezentos anos, qual seria a nossa solução. Implantamos sementes vitais em todos os pontos do nosso mundo, mesmo naquelas civilizações com conhecimento científico de menor desenvolvimento específico.”


“Naqueles anos seguintes construímos uma nave espacial que, supostamente, aguentaria a explosão, desde que partisse trinta anos antes do contato inicial entre os dois universos. Foram escolhidos, em alguns clãs, seres de padrão morfológico elevado, e o resto dos oitenta e dois ocupantes da nave, eram de físicos, engenheiros e biólogos. Com grande euforia e pesar, partimos para o alfa(vazio). Sabíamos que em diversos mundos fora utilizada, também, a nossa mesma ideia. E foi assim que chegamos até aqui.”


“Quando aquela força energética gravitacional chegou, com ondas eletromagnéticas em expansão, foi com uma densidade maior que todos os cálculos dos nossos cientistas, ocasionando o que vocês chamam hoje de big-bang. O nosso universo explodiu e nada sobrou, a não ser os pedaços... Um dos quais é este que você e eu nos encontramos, e que chamam de planeta Terra.”


“Não conseguimos encontrar nenhum ser vivo oriundo da nossa civilização, por isso ficamos momentaneamente aqui, para descansar e estudar. Estamos analisando o comportamento do chamado ”ser humano”, há milhares dos seus anos. A metade da tripulação nunca saiu da nave, pela repugnância causada por vocês, durante esse tempo. A ganância e a estupidez, provocaram uma espécie de temor entre os remanescentes, tripulantes da nossa nave. Vivemos no fundo de um estreito de mar que chamam de Oceano Atlântico, nos alimentando da extensa vida marinha. Pela nossa diferença de densidade, não podem nos ver facilmente, quase transparentes, apenas de uma maneira turva, podemos ser percebidos. Desse modo, partimos várias vezes em excursões pelas suas diversas civilizações. O mar nos fortalece e pela areia salgada da praia, que, propositalmente, circula agora em nosso corpo, você pode, mesmo precariamente, nos ver.”


“Apesar de grandes erros, você se tornou para o seu mundo, um cientista brilhante, e para nós, quando escreveu que o universo não pode se contrair ao chegar ao ápex e sugeriu que, o big-bang foi detonado por uma força externa, se tornou interessante. Depois da publicação de suas teses sobre o assunto, o analisamos e escolhemos você para falarmos algumas coisas, antes da nossa partida.”


— Em que erramos, pode me dizer?


— Toda a sua teoria atômica está truncada e mal explicada. Partiram de premissas falsas, tiraram conclusões lógicas delas e demonstraram o erro, buscando o resultado e explicando as exceções como perdas clássicas ou efeitos colaterais. Como desenvolveram arbitrariamente a sua fraca teoria, utilizando equipamentos e ferramentas dedicadas, feitas para isso, comprovaram o acerto cheio de falhas. O que vocês chamam de elétrons, espalham-se em densidade, as partículas não se movem, do nosso ponto de vista. São radiadores em transferência de energia. Melhor dizendo, a velocidade é tão grande que para vocês, nesta dimensão, estão parados.


— Como chegaram aqui? Vocês dominam a velocidade da luz?


— Antes de chegar a tal velocidade, terão que dominar a desintegração e reintegração dos corpos. Não se pode viajar na velocidade da luz sem se desintegrar e transformar-se em luz, por isso é necessário o domínio tecnológico da relação desintegração/reintegração, com a menor perda possível. Antes que me pergunte, quando se sai dessa velocidade, sempre há uma perda, que pode ser física ou psicológica. Por isso economizamos ao máximo, entrar nessa energia.


“Massa sem momentum não tem energia, pelo contrário, é sua ausência total. O movimento é que dá energia à massa.”


— Essa ignorância é um dos nossos maiores sofismas, então? — perguntei.


— Tem outro ainda maior: sua ciência limitou a maior velocidade que existe, à da luz. Existem diversas outras velocidades maiores, porém, primeiro tem que se chegar a da luz. À medida que o corpo ultrapassa esta velocidade, vai perdendo brilho e a intensidade específica(entra em modo opaco). Ao se apagar completamente, o corpo em movimento, já está cem mil vezes mais que a velocidade da luz. Nesse momento, se entra no que chamamos de dimensão volátil.


— Isso é realmente incrível. Seria o que chamamos de hiperespaço.


— Mas esse processo tem um grande problema, é que, ao retornar a velocidade primária, inicial, em vinte por cento dos casos, há distorções físicas e psicológicas na tripulação e torções mecânicas na nave. E em muitas vezes, nem o retorno é possível. Tudo isso só poderia ser feito por vocês, se conhecessem o próprio cérebro. Existe uma filosofia de funcionamento entre o mundo e a mente.


— Estamos muito longe disso... —lamentei.


Então, o ser alienígena continuou sua terrível explicação.


“Vocês ainda têm muito o que aprender. Nós estamos no lapso de tempo entre a grande explosão e o seu efeito. Por isso a confusão, toda massa conhecida pelos seres humanos, está em movimento.”


“Normalmente aqui na terra, um segundo, mas pela magnitude do processo, este segundo, dura alguns milhões dos anos de vocês, por isso ainda existe a vida que estamos presenciando, já que estamos contidos no mesmo lapso temporal.”


— Meu Deus! O que isso quer dizer? — perguntei admirado.


— De um modo sintético, quer realmente a resposta?


— Sim. Claro.


— Está bem. Estamos todos mortos — respondeu.


— Não consigo entender...


— Estamos sob o domínio do tempo, entre a explosão do big-bang e o seu primeiro efeito, que é a desintegração total da vida e da matéria. Um segundo que na magnitude do pluriverso, dura alguns milhões de anos terrestres. Todos nós já morremos! Quando descobrimos isso, paramos de procurar por nossa civilização. O movimento de translação ao ápex, causará uma nova explosão no próximo universo, que desencadeará um novo big-bang. Não sabemos como começou, mas sabemos que esta reação em cadeia, causará o fim dos universos adjacentes, até uma nova e aparentemente utópica acomodação.


— Isso quer dizer que todos nós, seres humanos, já estamos mortos, inexoravelmente? — não pude deixar de perguntar novamente.


— Exatamente. Só nos resta saber o que vem primeiro: a desintegração dos compostos, que é a nossa expectativa atual, ou a colisão com o universo mais próximo adjacente. Causando um novo big-bang.


— Pelo dito vocês estão muito mais adiantados em relação a nós, porque não fizeram contato? — perguntei, mas parece que já sabia a resposta.


— Não vimos aqui para interferir. Descansar e estudar, no máximo, é a nossa intenção, apesar de que, em vários momentos, nos reunimos para discutir as vis atitudes dos seus semelhantes e comportamentos suicidas. Apenas como assistentes, das sociedades primordiais e atrasadas, nos mantivemos ao largo. Não entendemos como se utilizam de animais mais fracos para sustentar iniquidades, nem do abuso da ingenuidade do próximo e a perversão do bem comum, no desejo do poder, se apropriar do que não lhe pertence.


— Entendo. Não somos seus descendentes?


— Não. São oriundos de outro mundo — respondeu de imediato.


— Pode me falar sobre a sua sociedade? — mudei o rumo da conversa, acho que ele não gostou da pergunta anterior.


— Vivíamos da mineração, transferências e cultivo de alimentos, que eram abundantes e suficientes para nossa sobrevivência. Para o excesso, existia a transferência, uma espécie de comércio similar ao de vocês. A principal diferença, é que era tudo um mecanismo, bioconsolidado e na velocidade próxima a da luz. Investíamos muito no estudo do nosso mundo e suas relações, capacitando cientistas, biólogos, astrônomos, mineradores e governantes. Todos com um único propósito: o bem comum.


— Isso aqui é utópico — balbuciei.


— “Utopia”, é o que vocês leem e só conseguem implementar nos trabalhos escolares. Ao saírem da escola, entregam-se a ganância e ao espírito de competição.


— Eu sei... E quanto a sua reprodução?


— Nascemos sem gênero sexual definido, e vivemos a primeira infância de uma maneira geral. No final da segunda infância, e início da puberdade, escolhemos o nosso sexo, e a partir daí, desenvolvemos características delta-Y ou delta-X. Não existe dúvida quando o próprio escolhe livremente, por aptidão. Estatisticamente, existe uma ligeira preferência pelos delta-Y(para vocês masculinos), mas nunca passou de 5%. Desenvolvemos nosso sexo com o tempo, a partir do nosso desejo, assim evitamos qualquer tipo de erro ou incongruência.


— Espetacular. E quanto à divisão de trabalho?


— Os delta-Y preferem as minas de Kobailitan, nosso mais comum e rico mineral, construções e transferências. Os delta-X(para vocês femininos), estão também inseridos, mas procuram os trabalhos mais suaves e intelectuais.


—Eu estou te vendo quase transparente, sem braços, sem pernas, como se movimentam?


— Não precisamos de meios tão rudimentares para locomoção. Quando necessitamos de prolongamentos, para uma determinada tarefa ou função, o criamos momentaneamente. Nosso maior e mais utilizado membro é o que vocês chamam de cérebro.


Percebi o tom de crítica do visitante, mas não pude discordar. Com jeito e receio, perguntei:


— Você pode se materializar? Mesmo que só por um momento, gostaria de vê-lo, além de uma turva gelatina de areia e água salgada.


Aquela silhueta quase transparente, parou por um momento, e depois de alguns segundos, respondeu:


— Vou tentar parametrizar minha imagem com a de vocês, isso pode demorar algum tempo, pois nunca o fiz.


A imagem do ser extraterrestre, foi ficando cada vez mais nítida, com contornos humanos, parecia estar ficando de “carne e ossos”, e pude aos poucos vê-lo. Para o meu espanto, ele era um delta-X.


— Você é mulher! — falei em tom de espanto.


— Sou, aliás se fosse humana, teria quase esta forma, e nas dúvidas completei ao seu gosto. Aquela mulher dos seus sonhos, o que você espera do seu oposto. Captei em seus pensamentos, só assim pude me materializar perfeitamente e apresentar-me.


— Meu Deus você é perfeita. — deslumbrado, deixei escapar.


— Cuidado terreno, já tenho um companheiro e ele sempre foi voto contrário, não tem simpatia pelos humanos.


— Você tem senso de humor, espantoso. — falei admirado.


— O que pensa que somos, humano? Temos humores e nesse quesito somos ligeiramente parecidos.


— Até sua voz ficou doce... Não dá para você se cobrir? Está nua e não consigo me concentrar.


— Vou tentar me cobrir nos moldes dos seus semelhantes.


Um biquine cor de areia envolveu o seu corpo maravilhoso, estava completamente apaixonado por aquele ser espacial. A mulher mais linda que vi em minha vida..., se aproximou de mim e falou:


— Humano, me dê um beijo e veja o universo.


Tremi, num instante de medo e curiosidade. Fomos nos aproximando e colamos os nossos lábios, então dei um beijo naquele ser que veio do espaço. Durante o delicioso beijo, vi o universo diante de mim, com todas as galáxias, sóis e planetas. Vi sua nave em construção, a saída e a viagem pelo alfa, até sua misteriosa chegada a Terra. A expansão do nosso universo conhecido à minha frente, viajava com eles..., me senti como um cometa na mesma velocidade das galáxias. Nestes instantes, vi a olho nu, toda a imensidão do nosso universo, e como um espectador, observei, o clarão do infinito. Desmaiei sem forças e algum tempo depois, quando acordei, estava ela me olhando fixamente, e ao seu lado, mais um espectro gelatinoso de areia, também me observava. Deduzi que era o seu par, como já havia me falado, seu companheiro de vida. Estavam conversando uma linguagem incompreensível, parecia um grunhido em código Morse. Incompreensível e quase inaudível, porque aparentemente não precisavam de deslocamento de massa de ar para se comunicarem, mas como ela estava em forma humana, pude perceber. O que falavam, não entendi, mas pelo seu rosto, não se tratava de coisa muito agradável.


Num dado momento, ela se virou pra mim e disse:


— Klaus Werner Von Falles, temos que ir embora, os intrusos estão aqui. Anote o que lhe falei e tente melhorar o mundo, pelo menos, até ele se acabar por completo. Não deve demorar muito tempo.


Ouvi aquelas palavras, pensei nas imagens há pouco vistas..., e sabendo que já estava morto, pedi:


— Deixe-me ir com você — disse do fundo do coração — Não tenho nada aqui, que me prenda.


— Pobre criatura — respondeu Kalibahweitan, com voz doce — Deixe eu te dizer uma coisa... Quando me parametrizei, inclusive dos seus pensamentos, senti que você seria o ser ideal para mim, no mundo carnal e humano onde vive; logo, também estou apaixonada por você. Mas eu não sou carnal, você viu como sou realmente, nunca poderíamos nos tocar para nenhum tipo de contato físico, muito menos para a preservação. Além do mais seria um despropósito diante do exposto. Algo tão estranho assim e sem consequências, não valeria à pena, aliás, que amor suportaria a falta de contato e a morte? Nem o de vocês, que admiro, conseguiria se sustentar por muito tempo.


— Mas você é de carne e ossos, agora. Não pode ficar assim para sempre?


— Minha criança humana, a energia que estou dissipando com essa forma humana, a cada hora, daria para energizar uma de suas cidades com cem mil habitantes, durante um dia inteiro.


— Mas você me disse que massa não é energia, não foi?


— Sim, estática. Mas estamos navegando em alfa, onde toda massa desfruta de energia cinética e cósmica. Sei que você entendeu da primeira vez, é a sua razão sendo dominada pela emoção, tão típico de sua espécie.


Nesse momento o outro ser se materializa, ganha contornos humanos e para o meu espanto ele é igualzinho a mim, o mesmo corpo. Até as rugas, dos meus quarenta e dois anos, ele tinha em sua face. Se aproximando de mim, abraça-me. Depois de um longo abraço, me diz calmamente:


— Escolhemos você para dar, essa terrível notícia. Não sabemos como poderá compartilhar com os outros, tamanha desilusão. Faça valer a pena tudo que aprendeu aqui e todos os riscos que corremos. Você foi “o escolhido” e faça o que quiser dessa informação.


— Porque colocaram este peso nas minhas costas?


— Esta resposta só Kalibahweitan pode te dar, e ela já disse.


— Qual o seu nome?


— Kalamanweitaff. A pronúncia mais próxima que você pode entender.


— Obrigado por responder. Para onde vocês vão?


— Captamos, com o uso dos nossos instrumentos, uma nuvem cósmica num quadrante próximo a Alfa do Centauro, nome dado por vocês, algo que pode ser resquícios da nossa civilização.


— Impressionante, como nunca conseguimos captar suas frequências?


— Porque estão fora do seu espectro conhecido e não têm instrumentos capazes de demodular.


Nesse momento, Kalibahweitan se aproximou e com aquela doce e suave voz, falou:


— Kalamanweitaff, chegou a hora de partirmos.


Ele, ou eu, nem sei mais, deu um sinal para ela, virou-se novamente para mim e falou:


— Klaus Werner Von Falles, dê-me um beijo, quero te mostrar uma coisa.


Ao ouvir o que Kalamanweitaff disse, Kalibahweitan, falou um pouco apreensiva:


— Acho melhor não fazer isso. Não vejo razão; por que colocar essas coisas na cabeça dele?


— Ele merece saber mais sobre o seu mundo, mesmo que as informações sejam aparentemente inócuas, assim terá mais respaldo para, se for o caso, debater sobre os temas.


Aquela pessoa linda e maravilhosa, pensou um pouco e fez um sinal de positivo.


Então, Kalamanweitaff se aproximou e me deu um beijo, era como beijar o meu espelho. Naquele momento vi o mundo inteiro passar diante de mim, em todos os tempos e situações, desfrutei a oportunidade de conhecer as civilizações, seus reis e mandatários. Tive acesso aos pensamentos e atitudes dos líderes e os anseios dos povos, nas mais diversas épocas e costumes do mundo terrestre. Desde antes da ocupação na Mesopotâmia, passando pelo Oriente, Europa, até os dias atuais. Foi tanta informação que, por um momento, perdi novamente os sentidos. Quando acordei os dois olhavam para mim e rindo Kalamanweitaff disse:


— Agora você sabe a história do seu mundo, a verdadeira, não as que estão nos livros, muitas vezes censuradas por suas crendices religiosas, motivações culturais e acertos políticos.


— Meu Deus, agora eu sei de tudo. Consigo ouvir as vozes, palavras, e ver os atos de reis e mendigos...


Mal terminei de falar e meu amor, Kalibahweitan, me advertiu:


— Se esse mendigo que você fala é aquele que nasceu há dois mil anos, sugiro que fique apenas para si, não convém falar mais nada sobre o assunto.


— Está bem — respondi. — Não falarei com mais ninguém sobre aquele tempo e o ocorrido, realmente.


Foi ali que vi a extensão da imparcialidade desses visitantes galácticos. E ela continuou:


— Como se sente?


— Decepcionado. — respondi imediatamente.


— Foi o que pensei. Cuidado com as informações que lhe demos... e adeus.


— Por que tão rápido? Ainda não anoiteceu — disse, já me sentindo só.


— A sua polícia federal e os agentes dos predadores do mundo, estão a dez minutos daqui; vamos entrar no mar e partiremos em seguida para o Centauro.


Dois seres fantásticos diante de mim se despedindo, quanta honra. Não sabia nem o que dizer. Apertei a mão de Kalamanweitaff e disse para Kalibahweitan o seguinte:


— Gostaria de lhe passar uma informação, posso?


Ela se virou para Kalamanweitaff, riu, volveu e me respondeu:


— Pode me dizer.


— Me dê um beijo para eu lhe mostrar...


Ela encostou-se em mim, colou seus lindos lábios nos meus e dei um longo beijo...


Depois de um tempo, separamos, e abri os olhos. Ela estava olhando para mim e perguntou:


— O que queria me mostrar?


— Lhe mostrei, através deste beijo, o que é o amor verdadeiro dos humanos.


Ela riu satisfeita e falou:


— Klaus Werner Von Falles, agora consigo sentir e entender que, apesar das imperfeições humanas, existe algo de bom pelo qual se vale a pena lutar. Se você me ama, eu também te amo. Obrigado por me mostrar, fisicamente, o que só imaginava. O amor, foi o que me conteve ao extermínio de sua espécie. Ele se justifica.


— O que farei sem você? — perguntei num profundo lamento.


— Vejo que descem lágrimas dos seus olhos... Você vai encontrar alguém para enxugá-las, prometo. Seja feliz enquanto tiver consciência e respirar...


Ela se afastou e os dois foram vagarosamente entrando no mar, transformando-se novamente em mais duas ondas no sentido Atlântico..., sumiram naquelas mornas águas do mar da Bahia. Ajoelhei e comecei a pensar em tudo que vivi nesses dias, os mais importantes da minha vida.


Alguns minutos depois fui achado e cercado por militares que desesperadamente faziam, com instrumentos, uma minuciosa varredura no local. Fui indagado e disse que nada sabia e nada tinha acontecido, apenas estava em turismo, passeando pela praia. Comecei a falar em português fluente e o meu inglês estava sem sotaque alemão. Ela me deixou um legado... Que saudade!


Fui levado para falar com o comandante da missão, sei lá o quê, e uma vez diante dele, todo fardado, me perguntou:


— O que o doutor faz aqui?


— Estou em passeio — respondi cinicamente. Aprendi que responder com cinismo a quem pensa que sabe, é a melhor forma de colocar mais dúvidas.


— Ora doutor, não me diminua, sabemos o motivo, não é?


— Então porque pergunta?


— Sei que você esconde algo.


— Primeiro você não sabe, segundo não vai saber, terceiro, estou indo embora. Sou um cidadão alemão, fazendo turismo na Bahia, apenas isso.


— Não posso reter você aqui, vá embora. Mas saiba que não terminou.


— Ok. Marque hora na embaixada. Um abraço!


Deixei o comandante gritando com os subordinados, em busca dos rastros que se apagaram pelas rebeldes ondas da maré enchente.


Fui embora andando pela areia da praia. Sei que estarei sendo vigiado, mas por agora, só quero um hotel para descansar e dormir.


Hospedei-me num hotel da cidade mais próxima e dormi durante vinte e quatro horas seguidas. Acordei com fome, comi muito e, já praticamente restabelecido, peguei o carro alugado e retornei a Salvador, para voar de volta a Alemanha.


Dirigindo muito triste e pensativo, apesar da beleza do litoral da Bahia, pernoitei na cidade de Santo Antônio de Jesus. No jantar, fiquei sabendo que Salvador estava em festa, uma festa muito grande de carnaval e, pelo visto, bem maior que o de Veneza. Então resolvi passar um dia a mais, para conhecer este carnaval.


Chegando a Salvador, me hospedei num hotel e fui pensar e descansar à beira da piscina. Estava num conflito muito grande, como iria dizer e escrever para o mundo, tudo que sabia? Seria o arauto das notícias mais terríveis da humanidade, sem falar de todos os erros científicos que até hoje são ditos como verdade. Como lidar com isso, o que fazer? Queria que Kalibahweitan estivesse comigo, vê-la ao menos, pela última vez...


Eram três horas da tarde, quando decidi ir ao centro da cidade para ver, e conhecer o carnaval. Entrei num taxi na porta do hotel e, chegando ao centro, deixei o taxi, subi uma ladeira, e já estava na praça municipal. Cheguei perto do elevador Lacerda, olhei a cidade. Por um momento, senti orgulho de ter nascido em Salvador; ao ver tanta beleza, senti muita paz. Fiquei um pouco melancólico analisando a terra da felicidade..., da boa terra do coco, que tanto o bebi na praia; da choupana onde um é pouco, dois é bom e três é demais. Aprendi muitas coisas sobre a Bahia, por simples curiosidade. Tudo em vão, sem futuro e só eu sei. Meu pai quando brigava comigo, dizia que eu era baiano, mas ele não sabia que talvez fosse um elogio... É só chegar aqui e dar uma boa olhada.


As pessoas estavam indo para um lugar chamado Pelourinho. Então fui também para lá, um lugar ímpar, medieval baiano, com um casario específico daquela época. Foi quando eu vi a alegria materializar-se em gestos e danças, estava presenciando uma brincadeira onde negros, brancos, mestiços e índios estavam lado a lado, numa só alegria. Eu, um cientista alemão, branco, 1.85m de altura, todo vermelho de sol, comecei a pular junto e todos pareciam irmãos, uns cuidando dos outros para não cair. Uma música animada que promove a dança, chama até a miséria, para dançar. Naquele momento não pensava em mais nada, libertei minha mente. Se felicidade existe, não deveria estar muito longe dali.


Sei que onde tem muita gente boa, também tem o perigo, ainda mais quando passou um folião bêbado e gritou: “na Bahia até a miséria te chama pra ser feliz”. Depois dessa, fiquei um pouco ao largo da folia, encostado numa igreja para me recompor depois de horas de exercícios, pois dançar seria muita pretensão. Na verdade, quando chegava alguém bem ou mal intencionado, eu falava um português tão bom que se afastavam, pensando talvez, que eu fosse da chamada “boa terra”. Na verdade eu sou, aliás, muita gente riu do meu jeito desengonçado, mas falando sua língua fluentemente, não me tomavam por gringo. Pra mim, estava ótimo. Aquele poderia ser meu último surto de felicidade.


Foi naquele descanso de meia hora que eu vi passar na minha frente uma linda mulher, olhei novamente e a reconheci. Era Kalibahweitan. Desci as escadas correndo e gritei seu nome: Kalibahweitan! Ela se virou e respondeu em alemão:


— Está falando comigo?


Me aproximei devagar, cheguei bem perto e a vi na minha frente. Era ela. O corpo e o rosto. Senti um nó na garganta, não sabia o que dizer...


Ela volveu e continuou andando, fui indo atrás pensando em todas as possibilidades, quando me lembrei da promessa de Kalibahweitan. Será que ela cumpriu a promessa? Adiantei o passo e falei novamente:


— Oi meu nome é Klaus, sou alemão, moro em Berlim.


Ela parou, se virou, riu e disse:


— Meu nome é Evelise, sou alemã, moro em Leipzig.


— Passando férias no Brasil? — perguntei.


— O que você acha?


— Ok. Acho que sim. Posso te acompanhar? Você está solteira?


— Pode me acompanhar sim e estou solteira.


Começamos a passear pelas ruas de Salvador, conversando sobre a festa e a felicidade do povo. Em pouco tempo estávamos quase íntimos, ela me apresentou seus pais, que estavam hospedados num hotel na praça do Campo Grande. Descemos para o farol da Barra e nos divertimos ainda mais. Disse-me que é médica em Leipzig, mas estava de mudança para Berlim.  Incrível como tudo se encaixava, mal conseguia olhar para ela, sem demonstrar grande emoção. Saímos de mãos dadas pelas ruas naquele dia, e nos dois dias que se seguiram de carnaval. Fomos para o aeroporto de Salvador juntos, no mesmo voo para a Alemanha.


Quando a aeronave começou a alçar voo, com toda potência, já não tinha mais medo de nada, nem razão de subida e muito menos o arrasto. Estava ali, junto de Evelise, dei uma olhada para a terra da felicidade e confirmei toda a sua magia. É bom ser brasileiro.


Kalibahweitan me pregou uma peça tão linda quanto ela. Quero viver cada momento como se fosse o último, eu mereço ser feliz e o mundo também. Vou viver com esse segredo, não direi nada do que aconteceu e espero que todos sejam felizes até o momento crítico. Afinal, todos nós estamos mortos mesmo.


Não percam: “O Príncipe Vassalo - o início”, “O Príncipe Vassalo - a explicação”, “Martha - A macabra história de uma rainha”, “O segredo de Gabrielli Valieaux”, “O Quinto Elemento”, “Futuro Inferno”.

(Da série - “ Olaff Palmer: O viajante do Tempo. ”)

 

Comentários   

 
#1 Guest 12-09-2015 17:14
Caro amigo Olavo, devo reconhecer o valor desta obra, um trabalho de cunho profissional. Interessante desde o início, de forma a prender o leitor para saber o que irá acontecer depois. Sim, está muito bom, e como outros trabalhos seus este surge com grande energia. Parabéns! o seu potencial para a escrita é vasto. Explore-o, para o deleite daqueles que venham a lê-los.
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