O Drone | CONTOS DE TERROR
Você está aqui: Home > Contos de FC > O Drone

O Drone

PDF Imprimir E-mail
(0 votos, média de 0 em 5)
Escrito por Dr. Hororis Causa   
Ter, 05 de Dezembro de 2017 00:00

Drone

 

 

O DRONE

Por Dr. Horroris Causa



Na pequena cidade de 'Papo Pro Ar', no interior do estado, nas casas, no coreto da pracinha, nos sítios ou em qualquer parte daquela cidadezinha, todos se espantavam com aquele misterioso 'corpo celeste' que de repente despontara junto àquele luar de sertão. Muitos mais em polvorosos saíam das casas e se juntavam a se perguntar o que seria aquilo. Outros já filmavam com seus celulares aquela estranha 'estrela vermelha' que não parava de piscar. Seria alguma assombração, 'alma do outro mundo', 'Mãe-de-Ouro'...algum disco voador?! Era o que aquela gente pacata se perguntava. Até que é sabido por meio daqueles moradores mais 'viajados', que aquilo na verdade se tratava de um 'drone'.


Aquele povo não tinha a mínima ideia do que era isso, mas aqueles que costumavam viajar para a 'cidade grande' explicava que lá existia uma moda em que algumas pessoas 'de condição' colocavam no ar esse tipo de 'pequeno helicóptero' para sobrevoar a região onde estes moravam. Ao conseguirem entender isso, os moradores ficaram mais tranquilos, e além de continuar se maravilhando, também se perguntavam...quem seria o dono daquela geringonça?!


O tal objeto parecia 'onipresente'. Ao mesmo tempo em que era avistado na parte mais urbana daquele lugarejo, também era visto na área mais rural ou onde fosse. Ele parecia mesmo 'monitorar a área', se mantendo sobre as casas e até mesmo parecendo perseguir alguns daqueles populares. Eles se confortavam com a ideia de que aquilo se tratava mesmo de um drone e já até especulavam que o misterioso 'aparelhinho' era pertencente ao filho de um rico fazendeiro da região.


As crianças já brincavam de perseguir aquele objeto, mas muitos daqueles moradores mais pacatos já tratavam de fechar rapidamente suas janelas assim que o misterioso aparelho despontava no ar. Estranhamente sempre no começo da noite. As conversas naquele barzinho, ponto de encontro tanto da velha guarda local quanto dos mais novos ou de algumas senhoras que ali se juntavam para comprar alguns víveres, não era outra. Até que Seu Tião, dono de um rincão com algumas cabeças de gado, ao apear de seu cavalo, chega reclamando de estranhas queimadas em seus pastos além de desaparecimentos e mortes misteriosas e violentas de algumas de suas 'criações'. Seu gado, até mesmo os novilhos ou eram ferozmente desmembrados ou 'tostados' por algo que simplesmente 'incinerava' os bichos. Todos se espantam e não encontravam nenhuma explicação para o fenômeno.


Até que 'Boa Viagem', um andarilho conhecido de todos por sua bebedeira e seus 'delírios cantados' com uma velha viola pela praça da cidade, se intromete na conversa e diz que tudo o que ocorrera nas terras de Seu Tião era obra do que ele chamava de 'povo do céu'. Um nome particular para o que seria os seres extraterrestres. E este ainda completa dizendo que o tal misterioso drone era na verdade um tipo de 'sonda' dos mesmos. Boa Viagem tinha esse apelido por suas andanças ou misteriosos desparecimentos que segundo ele era por conta de 'abduções' feitas por estes seres extraterrenos. Mas ninguém 'dava conversa' para ele que também era tido como louco. E já fartos do que eles julgavam 'delírios' daquele mendigo, o enxotam dali como um 'cachorro vagabundo'.


E nas noites que se seguiram, mais coisas estranhas tornaram a acontecer. Os televisores começavam a apresentar estranhos problemas que surgiam no exato momento em que o misterioso drone aparecia, os telefones fixos ou celulares tocavam no meio da madrugada e quando se atendia, o que se ouvia eram estranhas 'vozes metálicas' e cheias de interferências intraduzíveis. Mais animais surgem desmembrados e desta vez um pescador também aparece com estranhas queimaduras que segundo ele surgiram após o seu encontro com o tal drone. Todo o povoado começa a ficar alarmado, e o andarilho Boa Viagem, mesmo com o desprezo de todos, com sua inseparável viola continuava a insistir com o seu 'povo do céu'. As crianças de 'Papo Pro Ar' adoravam as histórias daquele trovador andarilho, e estas sempre se juntavam a ele formando rodas no coreto e pelos bancos de concreto daquela pracinha.


Na noite seguinte, mais estranhos acontecimentos se deram. Mas dessa vez a proporção ainda fora mais graves, pois várias crianças do município foram dadas como desaparecidas. Sem deixar qualquer rastro, todos aqueles pequeninos dos quais muito adoravam brincar de perseguir o tal drone e de ouvir as histórias de 'Boa Viagem', simplesmente desapareceram. O desespero tomou conta daquele lugarejo. E Boa Viagem continuava a insistir na história dos OVNIs. E desta vez aquelas pessoas já transtornadas e estupefatas com aquela 'conversa fiada' do mendigo, começam a desconfiar do mesmo, já que sempre o viam rodeado daqueles pequeninos pela praça afora. Boa Viagem ainda tenta se explicar usando de seus 'argumentos fantásticos', mas ninguém lhe dera ouvidos. E todos aqueles populares enfurecidos já o amarram e o levam para praça onde o linchariam. Boa Viagem é socado e chutado por toda aquela multidão. E quando já estava prestes a ser morto, a polícia surge e o salva. Imparciais, os policiais escutam os protestos e acusações dos moradores. E após isso, levam o quase desfalecido Boa Viagem para a delegacia.


Algum tempo depois, após vários interrogatórios nos quais o pobre Boa Viagem relatava coisas como: seres prateados de cabeça e olhos grandes que faziam estranhas cirurgias ou 'casulos humanos' com as pessoas, além de ouvir tudo isso e de fazerem algumas averiguações, a polícia conclui que Boa Viagem dava nítidos sinais de demência. E sendo assim o internam num sanatório. A culpa pelo sumiço das crianças, de fato havia caído sobre aquele coitado. Mas o misterioso drone continuava a surgir, e com isso, além de mais pessoas desaparecerem sem qualquer explicação, algumas outras lotavam o hospital e o postinho de saúde onde davam entrada com uma estranha e fatal febre que era erroneamente diagnosticada como 'febre amarela'.


E com tudo isso somado ao pavor de toda aquela pequena população, as autoridades não tiveram escolha a não ser levar tais 'boatos' em consideração, e assim iniciar uma investigação sobre o misterioso drone. Mas não se tinha qualquer ideia de onde o aparelho partia. Quem era a pessoa controlando o mesmo, e muito menos qual a sua finalidade. As pessoas continuavam sumindo, e outros estranhos fenômenos como pessoas falando sobre interferências de imagens de estranhas criaturas que surgiam em suas TVs, além de grotescas mutações como cobras de duas cabeças e seres metade bestas e metade homens avistados pelos pastos, continuavam a acontecer. Até que com todo um planejamento, finalmente, os policiais conseguem fechar um cerco onde seria um tipo de 'posto avançado' do tal drone. Uma pedreira onde muitos também diziam que ocorria frequentes aparições do fenômeno luminoso que o povo chamava de 'Mãe-de-Ouro'. E no alto daquele morro, dentre as árvores e as brumas da cerração daquela noite fria, todos aqueles militares atocaiados não acreditam quando finalmente o drone retorna para o que seria o seu ponto de partida. Dentre toda aquela vegetação havia uma grota de onde, sob os olhares mais espantados e até amedrontados de muitos daqueles policiais, surge uma espécie de 'porta levadiça' toda iluminada que assim que é baixada do seu interior saem estranhíssimas criaturas do que seria um tipo também todo iluminado de nave que ali se mantinha 'camuflada' dentre toda aquela vegetação. Aqueles estranhos seres tinham um aspecto humanoide com o detalhe de suas peles prateadas, cabeças de tamanho desproporcional ao corpo e também imensos olhos negros e repuxados. Toda a guarnição fica estática diante do que veem. Um dos seres pega o suposto drone como se fosse um 'falcão amestrado' que pousa de forma certeira em sua mão com tão poucos, imensos e grotescos dedos. Aquelas criaturas, que estavam em três, notam o grupo de policiais que, paralisados de espanto, não tinham qualquer reação e também notam que seus radiocomunicadores e suas armas não funcionavam. As criaturas então se aproximam dos policiais e ao estenderem seus longos dedos sobre os mesmos, estes começam a emitir um forte feixe de luz que de repente ofusca toda aquela pedreira, e quando se apaga, os mesmos seres já não estão mais ali, e os policias estranhamente não se lembravam de nada do que viram ou mesmo do que faziam naquele morro.


Tempos depois, a rotina daquela cidadezinha é retomada com a sumida definitiva daquele drone extraterrestre e a alegre e inacreditável notícia do reaparecimento de todos os desaparecidos supostamente abduzidos pelo tal objeto. Todas aquelas crianças, mulheres e até idosos estavam de volta a seus lares e entes queridos. O desaparecido agora era o pobre Boa Viagem, que misteriosamente sumira do sanatório onde era mantido internado. Ninguém sabia explicar o fato. Tudo parecia estar no seu normal fora os fatos do estranho sumiço de Boa Viagem, de algumas daquelas pessoas que reapareceram se portarem de forma estranha, como: saírem sem qualquer explicação para ficarem com seus olhares perdidos olhando para o céu, algumas tornarem a sumir, dessa vez por conta delas mesmas, e até mesmo estranhas gravidez nas quais mulheres mesmo idosas pariam bizarras criaturas metade humanas metade 'reptilianas', mas que acabavam não 'vingando'. Uma das crianças que retornara do suposto e misterioso cativeiro, numa certa noite, após uma forte crise de tosse, expele um estranho objeto que ninguém sabia explicar, mas que lembrava um tipo de 'microchip'.


O drone misterioso não era visto mais em Papo Pro Ar, mas moradores de cidades vizinhas relatavam o aparecimento do estranho corpo celeste e dos mesmos assombrosos ocorridos que aconteceram em Papo Pro Ar se darem também em suas cercanias. Boa Viagem também nunca mais fora visto naquela cidade, mas também há registros de um cancioneiro misterioso como ele cantando histórias das mais assombrosas envolvendo ETs, exatamente como ele fazia. Muitos dos trechos desse conto é tirado de algumas de suas canções. E apesar de tidas como 'surreais' tais canções que pareciam cantar a 'epopeia desse povo do céu' também possuía trechos que afirmavam que o tal drone extraterrestre já estaria se aproximando das capitais onde se misturariam aos drones terrestres. Então fechem bem suas portas e janelas, e pensem bem antes de acharem qualquer corpo celeste que verem por aí 'engraçadinho'!.

 
Autor: Dr. Hororis Causa

Leia outros artigos deste autor

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

 

PageRank

Pesquisa de informações

Leitores Online

 

Área de Autenticação








Após o cadastro, acesse seu e-mail e siga as instruções.
Copyright © 2017 CONTOS DE TERROR. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um Software Livre com licença GNU/GPL v2.0.