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Escrito por Eudes de Pádua Colodino   
Qui, 17 de Março de 2016 00:00

Animal

 

ANIMAL

Por Eudes de Pádua Colodino

 

 

Acordou no meio da madrugada. Subitamente o sono desapareceu, sem mais nem menos. "Deve ser o trabalho", pensou, "Está terrível ultimamente. Tenho andado muito estressado". Virou-se na cama, a TV ainda estava ligada. Gostava de dormir com ela ligada, reflexo dos seus tempos de menino e de medo do escuro. Havia deixado-a no mudo e, no ambiente taciturno do quarto, só se ouvia o leve tique-taque do relógio made in China, programado para despertar às cinco e meia da manhã.


- Só tenho mais duas horas e meia pra dormir, e nada desse sono voltar...


Sentia os olhos arderem quando ouviu um estranho ruído. Vindo de bem longe, provavelmente de quarteirões de distância, uma lamúria animal, algo como o agonizar de um porco ou um cavalo. Mas não parecia uma coisa ou outra.


Os cachorros todos da vizinhança começaram a latir. Nunca ouvira coisa semelhante, e onde haveria um bicho desses nas redondezas? Bairros de asfalto e concreto, onde um animal de fazenda seria alojado? E - mais intrigante: QUE animal era aquele?


Ouviu o mesmo som. Agudo, longo, arrepiante... Um animal parecia lamentar-se profundamente de alguma dor terminal. Os cachorros continuavam a latir à toda. Ouviu o farfalhar das folhas da árvore do outro lado da rua, e o capotar de algum copo de plástico do lado de fora. Súbita, uma lufada de vento passou por ali e invadiu o quarto pela veneziana. Sentiu um arrepio e puxou as cobertas. Fechou os olhos e tentou pegar no sono novamente.


Mas, mais uma vez aquele grito. Só que agora parecia ser na porta da casa. E os cachorros todos se calaram ao mesmo tempo.


Sentiu o coração acelerar pesadamente, um arrepio gelado nas costas. "Como isso chegou aqui tão rápido?" pensou. Tentou rezar alguma coisa, mas as ideias embaralharam. Um torpor tomou conta de si, sua vitalidade se esvaía perante sua consciência. Tremeu, mas não pôde evitar uma ligeira paralisia, como se todo o sono desaparecido tivesse voltado de uma só vez.


Porém, ainda conseguiu perceber que acabou a luz. E que havia mais alguém no quarto. Mais uma vez, ouviu aquele som horrível... agora, ao lado da cama.

 
Autor: Eudes de Pádua Colodino

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