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A Coisa na Escuridão

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Escrito por Eugênio Oliveira   
Sex, 24 de Março de 2017 00:00

A Coisa na Escuridão

 

 

A Coisa na Escuridão

Por Eugênio Oliveira


 

Tudo começou numa noite...



Estava caminhando por uma rua não muito usada, principalmente tarde da noite, mas era um atalho e me economizaria um quarto de hora. A noite tinha sido maravilhosa.



Havia jantado com três amigos, todos de opiniões e crenças fortes.



Um deles, um respeitado médico, iniciou uma conversa que me deixou profundamente perturbado.



Ei-la:



"Sei que vocês não acreditam no sobrenatural, eu também nunca acreditei, mas depois do que me aconteceu mudei totalmente de opinião.



Estava em minha residência quando acordei com alguém a porta.



Levantei assustado, pois a julgar pela batida, a pessoa estava bem aflita. Vesti-me e fui em direção a porta. Eu nunca havia sentido nada desse tipo, mas antes de abrir a porta senti um calafrio percorrer todo o meu corpo, e uma sensação que me dizia: NÃO abra a porta.



Abri...



A minha primeira reação foi de espanto.



Diante de mim havia um negro deplorável, completamente sujo e maltrapilho. Estava desesperado.



Me disse que seu patrão, um abastado fazendeiro da região, precisava de cuidados médicos. Perguntei o que havia acontecido. Por um momento ele hesitou, logo em seguida me disse que ele estava "estranho".



Vendo que não conseguiria obter nenhuma outra informação, me vesti e partimos.



Era uma noite quente, atravessamos o bosque que protege meu refúgio em direção a fazenda.



Nosso transporte, uma velha carroça de mantimentos, cheirava a fumaça...



Mais uma vez indaguei o negro.



Ele me disse que seu patrão, havia alguns dias, estava diferente.



Saia a noite, sempre sozinho, em direção ao monte do Diabo (apelidado assim pelos nativos, que juravam que o próprio Diabo habitava ali).



Eu sempre insistia para ir com ele e ele sempre me dizia: "não, meu velho Joseph, o que há lá, nenhum outro olho humano devera ver" e saía.



Voltava sempre perto das 3 da manhã.



Essa noite ele voltou diferente. Entrou em casa desesperado, como se alguém o estivesse perseguindo.



A governanta e eu levantamos assustados e fomos ver o que estava acontecendo.



Nosso patrão havia se trancado no quarto e vociferava desesperadamente:



"Luz, preciso de luz, ELE gosta da escuridão, me ajudem!"



A porta estava trancada. Tentei arromba-la mais foi em vão. Pedi a Maria que ficasse e me apressei a procurá-lo.



Mal ele terminou a frase, pude ver a enorme casa da fazenda. A direita ficava a estrebaria, e a esquerda dois enormes cílios subiam em direção a um céu brilhante como um cristal. (Já observaram o céu em noites de verão? É simplesmente inacreditável!)



Chegamos a casa. Assim que entramos, Joseph pousou a mão em meu ombro, gelei ao sentir seu toque, e me disse:



"Doutor, há algo que não o lhe contei..."



A casa estava mergulhada em uma completa escuridão...



Eu o interrompi e lhe disse:



"Que Diabo homem, faça alguma luz!"



E ele:



"Era isso o que eu ia te dizer, Doutor, não conseguimos acender uma vela sequer!"



Achei aquilo um disparate total, meti a mão no bolso, apanhei minha caixa de fósforos e me aproximei de um candelabro que estava sobre uma mesinha no canto do vestíbulo.



O que aconteceu a seguir me deixou extremamente perturbado...



Quando risquei o fosforo, um vento gélido apagou o fosforo com tamanha violência, que ele foi arrancado de minha mão.



Ah, aquele sopro...



Ainda hoje me lembro dele, porque não foi um sopro de vento natural, desses que se sente quando se caminha em um parque.



Não...



Esse foi diferente, como se alguma COISA houvesse arrancado o objeto de minha mão.



Olhei para Joseph...



"Por aqui, Doutor..."



Eu o segui através de um corredor até uma porta solida de madeira. Ele a abriu. Estávamos em um amplo aposento, com uma mobília antiga, porem de bom gosto que demonstrava uma personalidade rustica. Me senti em um antiquário. No centro havia uma grande escada que se bifurcava no alto. Um lance para a esquerda, outro para a direita.



Subimos e viramos a esquerda.



Era um corredor com duas pequenas portas a esquerda e uma maior, no final onde aguardava a velha governanta, eu supus.



O silencio na casa era singular, um silencio que me oprimia, me sufocava. Disse a Joseph que queria vê-lo.



Ele apontou para a porta.



Me adiantei e toquei a maçaneta. Nunca senti um toque tão gelado quanto aquele.



Girei a maçaneta...



E a porta se abriu!



Primeiro foi o cheiro...



Era como se um cadáver estivesse em putrefação há pelo menos 7 dias...



O quarto era minimamente iluminado pela luz das estrelas. Pude ver a cama no centro e uma mobília bastante simplória.



Não havia ninguém no quarto...



Chamei por Joseph, mas quando me virei em direção a porta...



Eu estava completamente sozinho!



Senti meu coração acelerar, mas tentei manter a calma como homem racional que sou. Percebi que minha visão estava obscurecendo e me virei novamente...



Até hoje, meus amigos, não sei se meus sentidos estavam me pregando uma peça ou se realmente tive um encontro com o sobrenatural. não poderei relatar o que aconteceu depois unicamente porque minha lembrança seguinte é a de acordar em minha casa pela manhã, como se tudo aquilo tivesse sido um pesadelo!



O que me faz perder o sono ainda hoje senhores, é que fui procurar por Joseph e a velha fazenda. Fui até a vila, entrei na taberna e pedi uma cerveja.



Estava tudo tão claro em minha mente...



A fisionomia de Joseph...



O caminho até a fazenda...



A mobília...



Tudo!



Chamei o taberneiro e lhe perguntei:



"Senhor, sabe me dizer como está a velha fazenda depois do bosque?"



O taberneiro deu uma longa gargalhada e, retirando meu copo, me disse:



"O velho Williamson surtou numa noite, matou seus empregados, botou fogo em tudo e queimou como o Diabo nos infernos!"



"Mais por que pergunta Doutor?"



"Isso aconteceu a 50 anos atrás!"



Todos ficamos em silencio e após alguns minutos nos despedimos banalmente e nos retiramos.



Tomei o atalho...


Olhei meu relógio de bolso...



Eram quase 3 da manhã.



Creio que fiquei impressionado com o relato de meu amigo, pois senti um sopro gélido percorrendo todo meu corpo. Me virei...



Segui meu caminho e fui para casa.



Nada vi naquela noite e em nenhuma outra, mas sempre que vou me deitar me lembro daquela história, tranco a porta e sempre abro as cortinas para que a luz da lua e das estrelas penetrem em meu quarto dissipando assim, a escuridão e tudo o que se esconde nela...



Tenho medo do escuro...



 

 
Autor: Eugênio Oliveira

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Comentários   

 
#10 Guest 16-04-2017 19:23
Não sou muito de ler contos , mas esse conto prendeu minha atenção
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#9 Guest 13-04-2017 22:21
muito bom o conto.
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#8 Guest 30-03-2017 10:25
Muito obrigado a todos pelos elogios e críticas :-)
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#7 Guest 29-03-2017 23:24
Muito bom Eugênio!!! :lol:
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#6 Guest 29-03-2017 13:28
Muitos nem percebem mas ás vezes nos próprios sonhos nos deparamos com enunciados paranormais, uma sensação estranha, um pressentimento ou até mesmo uma pessoa que nunca tivera visto mas que o semblante é bem familiar, neste curta retrata bem o que isso quer dizer, muito bom gostei...Parabé ns Eugênio.
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#5 Guest 28-03-2017 12:47
Muito bom, fiquei imaginando a história
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#4 Guest 28-03-2017 11:40
Gostei muito do coasentexto. Consegue ambientar o leitor e passar as emoções contidas de cada parte da história. O desenvolver do texto nos prende, se tivesse mais umas 30 páginas, leria, com certeza. Texto com uma leitura muito fácil, pois não é cansativa. Vale pensar em desenvolver um longa com esse mesmo personagem (um médico agnóstico que passa por uma experiência de psicometria e passa a seguir essa "realidade"). Abraçosvisto eua
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#3 Guest 28-03-2017 11:30
Excelente conto!
Adorei o enredo e desfecho da história. Estou ansioso para ler os próximos!!!
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#2 Guest 28-03-2017 10:00
Uma grande história. Parabéns ao autor.
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#1 Guest 28-03-2017 09:52
Muito boa, bem detalhada, autor descreveu muito bem os ambientes com detalhes que nos insere claramente a historia. Parabéns.
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