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O Galo Manolo

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Escrito por José Manuel Nunes Vilar   
Sáb, 21 de Setembro de 2013 00:00

 

O Galo Manolo

 

O Galo Manolo

por José Manuel Nunes Vilar

 

Dois por um é quatro, dois por três é nove…


É seis, tonto! – Replicou o galo.


..., pero tu falas? – Perguntou Ramirinho todo estúpido pelo acontecido.


 

Falava, o galo falava. Se bem é certo que há certas aves que têm o dom, como os loros, os papagaios, as cacatuas e mesmo alguns corvos, este capão, desculpas, galo, pois nunca foi privado de ter descendência, falava não por imitação de sons, mas por razão. O condenado era inteligente. E tanto. Desde que Ramirinho descobriu o milagre, toda quanta lição aprendia na escola vinha a contar-lha ao peculiar amigo quem, por acaso, já tinha nome, Manolo. Aprendia bem rápido a falar de todo quanto tema de conversa surgisse. Foi assim que certo dia o rapaz agiu levar ao Manolo de feiras como espetáculo em direto e com a intenção de tirar umas quantas moedas. E sim, o galo valia seu peso em ouro. Pronto estava no disque-disque (1) de toda a taberna, em boca dos vizinhos: tanto resolve equações de segundo grau  como entende de história e repreende à gente nos erros de fala. Ramirinho fazia muita massa (2) com o espetáculo, mas certo dia, numa feira em Monterroso, armou-se uma boa. O galo Manolo e um vizinho por pouco não chegam às mãos discutindo de política. A ave tinha avançada retórica citando desde Gustav Jung a Nietzsche e, como não, aos filósofos da Escola de Frankfurt e mesmo ao mesmíssimo Marx. Em efeito, o galo saiu vermelho e o paisano que lhe replicava não podia ser mais fascista. Um que com energia abanava as asas assim como algum que outro cacarejo, enquanto o outro debuxava garatujas no ar com o cajado, cuspindo no chão a tempo que berrava uma e outra vez “galo do caralho!”.


Pelos vistos, da noite para o dia, o animalinho desapareceu. É dito que o paisano com o que rifava na feira de Monterroso lhe retorceu o pescoço e lá foi a sorte do galo. Mas o certo é que Manolo arrimou a uma galinha de rio e com ela marchou. Desde aquela o pobre Ramirinho fala-lhe a quanto bicho vê, por mais que nenhum responde.


Notas:


(1) Disque-disque: forma coloquial galega de dizer que algum conto, história ou acontecimento  está a circular entre a vizinhança dalgum lugar, em conversas de taberna, saídas de missa etc...


(2) Massa: dinheiro, grana

 
Autor: José Manuel Nunes Vilar

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