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Assim viveu Zaratustra

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Escrito por Olavo Mattos   
Sáb, 23 de Agosto de 2014 00:00

 

Assim viveu Zaratustra

 

Assim viveu Zaratustra

Por Olavo Mattos

(Da série - “ Olaff Palmer: O viajante do Tempo ”)

 


Um dia ao amanhecer, ainda nas laudes, saindo de uma caverna, sua habitação austera e costumeira durante dez anos, Zaratustra, afastando-se do antro, sentou-se numa pedra e lá, prostrou-se.


Alguns dias depois, com seu jejum e cansaço, notou uma sombra pairando ao redor e sobre ele. Um magnífico ser voante pousou à sua frente e ao fitá-lo durante algumas horas, eis que perguntou:


O que vossa majestosa ave faz diante de mim?


A águia respondeu:


Vim lhe dar um pouco de sombra.


Por quê? Esperando o meu fim?


Poderia dar-lhe um fim, mas ele não está para mim, seu sofrimento e dúvidas vão se encarregar disso...


Mas você no chão, está vulnerável! -  replicou.


A grande ave, abrindo suas asas, com quase 2 metros de envergadura,  respondeu:


Poderia, se não o tivesse observado durante esses dias; está tão fraco que eu poderia com um único golpe arrancar-lhe os olhos.


E por que assim não o faz?

 

Porque você não está vivo, não é digno do meu esforço.


Depois de um breve colóquio, a nobre ave então, alçou voo, levantando uma poeira de fechar os olhos.


Dias depois, já exausto, o eremita viu uma serpente passando perto dele e antes que se fosse completamente, perguntou:


Não vai me atacar, excelência rastejante?


A serpente parou, levantou seu longo corpo e respondeu:


Atacar quem já é morto não é digno de honra!


Então, ele retrucou:


Por que diz isso?


– Você pensa como um morto, age como tal, logo, está morto!


– Como faço então, para viver?


– A nobre águia não lhe disse? Só passei por aqui porque observo sua fraqueza e dúvidas há anos.


Continuando, a serpente falou com aquela voz estridente e profundamente rouca:


– Levante-se e viva sua vida espalhando o que você tem de melhor, ajude seus pares a respeitar a natureza e serem dignos dela. O perdão incita a repetição do erro, errar a primeira vez já é motivo de correção.


Então Zaratustra perguntou:


– Não devemos perdoar?


Neste instante, uma sombra pairou novamente e a águia eminente  pousou ao lado da serpente num mudo armistício de soberanos. Após um momento de reflexão, responderam juntas:


O perdão é um vício;  ensine a razão e como antecipar os desejos mundanos, analisando o resultado dos seus atos, se serão positivos e assim realizá-los. Procure e ensine meios para a prosperidade, de um pouco se fazer muito, através do bom trabalho, e mostre que a colheita é o resultado e não um meio. A simplicidade, o desejo do bem comum, a astúcia mental e o orgulho da conquista interior  são caminhos para fins positivos.


A águia voou para os picos mais altos do Cáucaso, a serpente seguiu para as margens distantes dos rios e Zaratustra moveu-se. Sentiu aquela rigorosa tensão no corpo, que mais parecia rigor mortis... Naquele instante entendeu porque foi dado como morto, sair da inércia é voltar a nascer. Desceu para o mundo, espalhando o bem com astúcia e o orgulho de ser mais do que parecia, procurando o bem e evitando os erros.


Adotou a Águia e a Serpente como seus símbolos, afastou-se das montanhas e cavernas para disseminar suas teorias filosóficas àqueles que não as conhecia.


Conviveu com os humanos tentando mostrar que a humildade e a subserviência  eram disfarces traiçoeiros e corruptos de Arimã, entidade perversa e malévola, por isso não seria o melhor caminho. Mas a dignidade e o orgulho são elementos de superação, prosperidade e consequentemente uma das estradas para o alto, atingindo o tênue êxtase do encontro com o venerável deus Mazda, supremo ente do bem.


 

Comentários   

 
#6 Guest 25-04-2015 02:12
Citando Jefferson Gomes da Silva:
Plágio de "Assim falou Zaratustra" de Friedrich Nietzsche, filósofo existencialista alemão.

Oi, você leu o livro? Dê uma lida, é sempre bom ler coisas interessantes. Aí você verá que apenas fiz uma alusão no título(tirei "falou" e coloquei "viveu"). O conteúdo é totalmente outro. Aliás, Nietzsche não inventou Zaratustra, Zoroastro existiu e tem vasta literatura sobre ele e os cânticos do Avesta, dê uma lida também.
Tudo que escrevi é inédito, baseado na vida de Zaratustra, é um conto, é com muitas licenças, inclusive diálogos entre espécies... não tem nada a ver com o alemão.
Obrigado pelo comentário.
Olavo
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#5 Marco Roberto de Oliveira 23-04-2015 22:59
Seu conto tem bastante profundidade. Os diálogos são muito bem construídos. Parabéns. Abraços
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#4 Jefferson Gomes da Silva 23-04-2015 21:27
Plágio de "Assim falou Zaratustra" de Friedrich Nietzsche, filósofo existencialista alemão.
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#3 israel augusto 01-02-2015 20:02
Ótimo conto, direto e profundo como um poema persa. 8)
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+1 #2 Guest 02-09-2014 17:27
gostei da filosofia da aguia e da serpente... mas, nao achei terror algum nesse conto! ;-)
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+1 #1 Guest 25-08-2014 14:46
Ótimo texto!Parabéns
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