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Escrito por Paulo Soriano   
Sex, 20 de Dezembro de 2013 00:00

 

 

Dickens

 

 

Charles Dickens: paixões violentas

 

Charles Dickens – dizia um periódico fluminense do século XIX –, célebre romancista inglês,  inspirou a muitas de suas leitoras paixões violentas.  E só podemos atribuir tais paixões arrebatadoras – paixões de vida e morte - ao imenso poder de sedução que irradiava não da figura do escritor, mas de seus contos e romances,   publicados em  jornais ingleses, na  forma de folhetim.


Vejamos dois casos interessantes.


O primeiro narra-o o Diário de Notícias, edição de 12 de agosto de 1870:


“Uma mulher de vida escandalosa, que tinha dirigido ao romancista vinte cartas apaixonadas, não tendo obtido resposta, tentou apunhalá-lo à saída de um teatro. Para arredá-la das  testemunhas dessa tentativa, salvando-a assim, Dickens recolheu-a em seu carro, e mandou levá-la para sua própria casa, até pô-la ao abrigo de todas as pesquisas”.


O jornal “A Constituição”,  em edição de 1º de setembro do mesmo ano, reproduziu a seguinte notícia do “Parlament”:



“Em consequência de um trabalho excessivo, que lhe causara uma singular exaltação nas faculdades inventivas, Dickens caiu em um estado de prostração notável.


Não podia dormir mais de duas horas, nem conservar-se mais de cinco minutos na mesma posição.


Só conciliava o sono alto dia, depois de percorrer  Londres das 11 horas ou meia-noite até quase de madrugada.


Nas primeiras noites de sua peregrinação, notou que uma senhora, de aparência honesta, aparecia-lhe nas horas em que as senhoras de vida regular estão recolhidas em suas casas.  Depois encontrou-a mais duma vez na mesma noite.


Toda vez que a senhora encontrava Dickens, encaminhava-se para ele como se quisesse falar-lhe; mas de repente mudava de rumo, talvez envergonhada ou amedrontada.


Afinal aproximou-se dele com resolução, e acharam-se defronte doutro.


Ela lhe disse:


Charles Dickens, o Sr. fez muito mal... Não tenho mais descanso... Olhe para mim, para ver se se lembra quem eu sou... Mereço uma lembrança de sua parte... e juro-lhe que nunca mais há de me ver.


A mulher fugiu; Dickens acompanhou-a de longe, e soube que era casada com um coronel inglês, que residia  nas Índias.


Nunca  mais a encontrou nas ruas.


Quatro dias e quatro noites se passaram assim.


No quinto dia Dickens recebeu um retrato em um quadro de alto valor.


Preso ao retrato acompanhava uma medalha de marfim e ébano que continha uma basta trança de cabelos pretos.


Nessa medalha havia também um bilhete, com cinco linhas. O bilhete dizia:


Amei-te loucamente.  Mas o meu amor era criminoso, porque pertencia a outro mundo, onde poderei, sem trair ninguém, pensar em ti.  Lastima-me, pois.


O bilhete era assinado por: 'A mulher de umas das noites passadas'.


Dickens correu à casa dessa mulher.  Ao chegar ali, soube que ela tinha acabado de expirar, apunhalando-se com um estilete!"


Dickens, cuja pena era mágica, quase sobrenatural,   parecia mesmo mexer a fundo no coração das pessoas.  Uma delas, sentindo-se desprezada pelo escritor,  tentou matá-lo, mas  ele, humanamente,  a livrou da  forca; a  outra, não pôde Dickens  salvar da morte, posto que a dama apaixonada, vendo a impossibilidade de seu amor,  de si fez o próprio carrasco, no firme desígnio de amá-lo, desimpedidamente,  do além.


Parece que tais trágicos incidentes ocorreram  em algum momento não muito distante da morte do escritor, ocorrida em  9 de junho de 1870.  Dickens tinha 58 anos.

 

 

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