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Escrito por Oscar Wilde   
Qui, 28 de Agosto de 2014 00:00

 

 

Simão de Cirene

 

Simão  de Cirene

Por Oscar Wilde (1)

 

Curvo, cabisbaixo, o ancião deixava-se estar imóvel no seu escabelo, os ouvidos atazanados com as tolas recriminações da esposa.


Sem parar um instante,  a megera ia remoendo para ali sempre os mesmos ralhos:


– Velho idiota, quem te mandou perder tempo a vadiar na estrada? Teu pai, o pai de teu pai, e todos os que vieram antes deles, foram guardiões das portas do Templo.  Tivesse andado mais depressa, quando mandaram à tua procura, e a estas horas tu estarias nomeado  guardião da porta do Templo.  Já agora escolheram outro mais diligente.  Velho imbecil! Por que te demoraste tanto? Pois pergunto que tinha ele  de meter-se a carregar a cruz  do moço carpinteiro rebelde e criminoso!


– É verdade – concordou o ancião. –  Cruzei-me na estrada  com um moço que iam crucificar e o centurião chamou a mim para carregar-lhe a cruz.  Depois de tê-la carregado até o alto da colina, demorei-me, confesso, por causa das palavras que aquele moço dizia. Estava acabrunhado de dor e, contudo,  não lhe escapava dos lábios sequer uma queixa, e aquelas estranhas palavras fizeram-me esquecer tudo mais.


– Ora, aí está!  Esqueceste tudo o mais, até o pouco de bom senso que te restava, e chegaste tarde demais para seres nomeado o guardião da porta do Templo!  Não te envergonhas de pensar que teu pai, o pai de teu pai, e todos os quanto viveram antes dele foram guardiões da porta da Casa do Senhor, e que os nomes deles estão gravados em letra de ouro e perpetuados por séculos e séculos na memória dos homens? Ao passo que tu, velho idiota, és de todos o único que há de cair no esquecimento, porque morto tu, quem se lembrará  mais que de existiu na terra um Simão de Cirene?


Tradução de autor desconhecido.

Publicado originalmente no jornal  O Estado do Paraná em 5 de setembro de 1926.


Nota dos editores:

(1) Narrativa oral coligida e redigida por Léon Guillot de Saix

 

 

 
Autor: Oscar Wilde

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