Casos interessantes de Alexandre Dumas | CONTOS DE TERROR
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Escrito por Paulo Soriano   
Sáb, 18 de Junho de 2016 00:00

 

 

Dumas

 

 

CASOS INTERESSANTES DE ALEXANDRE DUMAS

 

 

 

 

A GENEROSIDADE DE DUMAS

 

Alexandre Dumas era, em seus tempos de glória, uma fábrica de dinheiro. Mas, também, um grande perdulário. Vivia assediado por inúmeros credores e, por isto, recebia constantemente a indesejada visita dos oficiais de justiça.


Certa vez bateram à sua porta:


– Sr. Dumas, peço-lhe dez francos para o enterro de um desgraçado, um pobre miserável.  O pobre homem, coitado, não deixou os pregos para o caixão...


O grande escritor, que à época ainda desfrutava de uma boa riqueza, compungiu-se. Perguntou:


– O falecido era um artista?


– Não, senhor. Era um oficial de justiça.


– Oficial de justiça?


– Sim, senhor.


­– Então tome cem francos e enterre dez.

 

 

Adaptado de Careta, edição de maio de 1940 e de  Para Todos, edição de 27 de março de 1920.

 

*

 

DUMAS PERDULÁRIO?


Tendo chegado Dumas a Paris com apenas cinco francos no bolso de um paletó surrado, ganhou rios de dinheiro ao longo de sua carreira de romancista e dramaturgo. Mas dissipava vorazmente tudo o que ganhava.


À beira da morte, recebeu a visita de alguns amigos. Disse-lhes o escritor:


– Gostaria de saber quanto tenho em caixa.


Um dos camaradas consultou a gaveta.


– Vinte francos, Alexandre.


Com bom humor, Dumas respondeu:


– E ainda me chamam de perdulário!  Cheguei a Paris com cinco francos e morro com vinte! Como é maldosa a humanidade...

 

 

Adaptado do texto de Albertus de Carvalho, Correio da Manhã, RJ, edição de  2 de junho de 1935.

 

*

 

DUMAS SARCÁSTICO


Jantava Dumas na casa do Dr. Gisiel, uma das celebridades da medicina francesa.


– Querido amigo – disse-lhe o anfitrião, enquanto passavam à sala do café –, ouvi dizer que você é um hábil improvisador. Faça-me o obséquio de honrar o meu álbum com uma produção sua.


– Com muito gosto – respondeu o poeta.


E, tomando a pena, Dumas escreveu, diante do anfitrião, que o seguia com a vista:


Desde que o Dr. Gisiel

Cura enfermos sérios,

Estão vazios os hospitais


– Dumas – interrompeu o médico –, você é mesmo um adulador.


Alexandre Dumas continuou, concluindo a estrofe:


E cheios os cemitérios.

 


Adaptado de O Publicador, PB, edição de 16 de setembro de 1865.

*

 

DUMAS E HUGO


Dumas elogiava extraordinariamente a obra e o caráter de seu colega Victor Hugo.


Um dos presentes observou que Hugo não formava dele a mesma opinião.


Dumas, placidamente, respondeu:


– Não me aborreço com isso.  Provavelmente, Hugo está enganado a meu respeito e eu também estou enganado a respeito dele.


 

 

Adaptado de O Publicador, PB, edição de 28 de julho de 1866

 

*

 

DUMAS MAGNÂNIMO


Um colega escritor, que estava na miséria, pediu ajuda a Dumas.


Descreveu-lhe o estado de penúria em que se encontrava. Afligia-o sobretudo não poder educar o filho de um modo conveniente.

– É preciso mandá-lo ao colégio – observou Dumas.


– É verdade, mas não tenho condições – disse o pobre escritor.


– Já sei, já sei. Vou ajudá-lo. Entre colegas, isto é um dever. Escreverei ao ministro, que é meu amigo, para que o seu filho tenha um lugar gratuito.


O pretendente agradeceu profundamente, especialmente porque lembrava-se de que, no passado, havia escrito alguns artigos contra aquele que, agora, lhe estendia as mãos. Querendo redimir-se e aliviar a consciência, fez uma confissão completa.


– Bem, isto não interessa. Voltemos ao seu negócio – disse-lhe Dumas.  – Uma carta pode mais facilmente receber uma negativa. Irei pessoalmente ver o ministro.  É bem melhor.


– Mas, senhor Dumas, eu não me limitei a atacar as suas obras, a sua vida. – disse o colega arrependido. – Sou um miserável indigno de seus benefícios.


– Não falemos mais nisto – redarguiu Dumas, inalterável em sua generosidade. – Caso o ministro recuse o meu pedido, recorro ao meu amigo, o duque de Montpensier, filho do Rei Luís Filipe.


Corroído pelo remorso, diante da crescente generosidade do escritor, o antigo rival confessou-lhe, tremendo, que chegara a escrever que os livros que traziam o nome de Dumas não eram dele, mas sim de uma plêiade de jovens que, indefesos, entregara-se às garras do escritor, e este os fazia trabalhar em proveito de sua fortuna e de sua glória, como escravos sob o chicote do feitor.


– Não lhe quero mal por isso – respondeu sempre sorrindo, magnânimo, Dumas. – O senhor me tratou como se tem tratado o próprio Deus.  Há milênios ele criou o mundo e quase diariamente contestam-lhe a propriedade da criação. Seu filho será convenientemente educado. Que colégio prefere?

 

Adaptado de O Publicador Maranhense, 30 de janeiro de 1864.

 

*


O PEQUENO DUMAS E A MORTE DO PAI


Dumas tinha apenas quatro anos incompletos quando morreu  seu pai, o general Thomas-Alexandre Dumas.


Conta-nos Heloísa Pietro, com lastro em André Maurois, que, na manhã seguinte, ao acordar o pequenino órfão, disseram-lhe:


Meu querido menino, seu pai, que o amava tanto, faleceu.


Papai faleceu? O que isto quer dizer?


Quer dizer que você não o verá mais.


E por que não?


Porque o bom Deus o levou consigo.


E onde mora o bom Deus?


No céu.


O menino calou-se, mas, assim que voltou para a sua casa, correu até o quarto do pai e pegou seu fuzil. Subiu as escadas e pôs-se à janela. Encontrou a mãe, que chorava copiosamente.


Aonde você vai?


Vou para o céu.

E o que você fará no céu, meu menino?


Vou matar o bom Deus que matou o meu pai.

 


Fonte: “Chez Dumas”, apresentação de A Mulher da Gargantilha de Veludo e outras Histórias de Terror, Zahar, 2012.

 

 

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