A Experiência Macabra do Doutor Andew Ure | CONTOS DE TERROR
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Escrito por B. Gastineau   
Sáb, 17 de Março de 2018 00:00

 

 

A EXPERIÊNCIA DO DOUTOR ANDREW URE

 

A EXPERIÊNCIA DO DOUTOR ANDREW URE

B. Gastineau (séc. XIX)

Tradução de R. Belmont (séc. XIX)


 

O cadáver de um assassino[1] fora retirado da forca uma hora depois da suspensão e levado ao anfiteatro do Dr. Ure[2], que lhe fez imediatamente incisões no osso occipital e no calcanhar, descobriu a medula do espinhaço, os principais nervos e pôs os órgãos em contato por meio dos condutores elétricos.


Quando aplicada a corrente elétrica, o corpo do enforcado agitou-se convulsivamente e uma perna entesou-se com tal força que por pouco atirou ao chão um dos assistentes[3].


Começou o trabalho de uma respiração completa. O peito elevava-se e abaixava segundo os movimentos diafragma, tal como num homem vivo.  Todas as paixões traduziram-se na face do enforcado. À proporção que aumentava a força das descargas elétricas, seu rosto exprimia alternativamente o terror, o desespero, a cólera, a angústia, acompanhados de um sorriso horrível.


Os espectadores não puderam suportar este espetáculo: uns fugiram, outros ficaram e alguns tiveram síncope.


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Fonte: Jornal do Recife, edição de 26 de novembro de 1859.

Ilustração: Beneworth (séc. XIX).

Fizeram-se adaptações textuais.



Notas dos Editores


[1] Um homem chamado Matthew Clydesdale, que teria praticado homicídio a mando de outrem, mediante pagamento.


[2] Andrew Ure (1878 – 1857), físico escocês. Realizou a experiência galvânica — animação de cadáveres por meio de corrente elétrica —  no corpo de Clydesdele em 4 de outubro de  1818, no mesmo ano de publicação de Frankenstein, de Mary Shelley.


[3] O próprio cientista registrou o experimento: “Toda a musculatura do corpo foi imediatamente sacudida por movimentos convulsivos, semelhantes ao tremor causado pelo frio [...].  Ao movimento da haste do quadril ao calcanhar, estando o joelho anteriormente dobrado, a perna foi lançada com tanta violência que quase derrubou um dos assistentes, que então procurou conter o seu impulso. O corpo também foi preparado para realizar movimento respiratórios mediante o estímulo do nervo frênico e do diafragma. Quando o nervo supraorbitário estava excitado, toda a musculatura de sua face convergiu numa reação medonha. Raiva, horror, desespero, angústia e sorrisos horríveis — todas essas expressões hediondas perpassavam o rosto do assassino, superando as mais selvagens representações de Fuseli ou Kean. Neste momento, vários expectadores, aterrorizados, foram forçados a deixar o recinto e um cavalheiro desmaiou.” (Tradução do editor P. S.)

 

 

 
Autor: B. Gastineau

 

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