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Escrito por Paulo Soriano   
Ter, 11 de Dezembro de 2012 00:00

 

 

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GUY DE MAUPASSANT

O HORLA. A CABELEIRA. A MÃO. O COLAR.

 

       

          Guy de Maupassant é sempre muito bem-vindo.  Portanto, vale  à pena mergulhar na pequena  coletânea, que leva o nome do escritor, publicada recentemente pela editora “Artes e Ofícios”.

 

         O  livro reúne quatro  narrativas do genial contista francês, três das quais merecem a nossa referência, por navegarem nas enigmáticas   águas do fantástico.

 

         A primeira delas – “O  Horla” –, já ganhou, no sítio da Irmandade, uma resenha exclusiva,   e muito bem feita,  de  Ramon Bacelar (http://www.airmandade.net/resenhas/resenhas-de-contos/77-o-horla.html),   que nos dispensa de tecer   maiores considerações.  Trata-se de um dos mais famosos contos de Maupassant.  De fato, subjugados pela  verossimilhança do fio narrativo,  somos  induzidos a viver, como se nossa fosse,   a intensa e progressiva loucura do personagem-narrador...  Loucura?  Ou, de fato, uma terrível experiência...  sobrenatural? 

 

          A obsessão e a alienação mental –  ou, quem sabe, o sobrenatural  mais agônico e enlouquecedor  –  permeiam  também uma outra  obra-prima, bela e assustadora: “A cabeleira”.  Interno num manicômio, um colecionador de antiguidades  relata  a degeneração da razão e da  sensualidade reprimida.  E tudo  a partir da descoberta de uma  cabeleira de mulher... Segue-se  uma arrebatadora paixão,  uma obsessão ensandecida  pelas longas madeixas douradas  e, por extensão,  pela enigmática mulher, já  secularmente morta, que um dia as ostentou.   Mas, o que parecia ser apenas o nefasto produto de uma mente perturbada, bem que poderia ser...


          “A mão”  – certamente uma reelaboração  de “A mão dissecada” (“Mestres do Terror”, Ed. Edizer, p. 63-68) –   testemunha  a impecável técnica  narrativa do maior dos discípulos de Flaubert: o inconcebível  e o sobrenatural afloram num ambiente rigorosamente realista.  Um respeitável  magistrado, cuja  credibilidade não pode ser posta à prova, narra, com asséptico ceticismo,  as estranhas circunstâncias de um crime absurdo,    insuscetível  de esclarecimento pelas leis inflexíveis  que governam a razão.  Afinal, não se admite que  possa uma mão mumificada...

 

         A edição vale, também, pelo excelente projeto gráfico e pelas ilustrações, de autoria de Juliana Dischke, que também desenhou a capa.  E há outra excelência: à exceção do revisor e de um dos tradutores, todo o trabalho é produto de hábeis mãos femininas.  Daí o primor da edição.

 

 

 

Editora Artes e Ofícios.

 

Ano de publicação: 2011.

 

Organização e apresentação: Paola Felts Amaro e Adriane Sander.

 

Coordenação editorial: Elaine Maritza de Oliveira

 

Tradução: Paola Felts Amaro, Adriana Sander, Gustavo Azambuja Feix, Paula Fernanda Malaszkiewicz e  Joice Monticelli Furtado.

 

Capa e ilustrações: Juliana Dischke.

 

Número de páginas: 111.

 

Local de Publicação: Porto Alegre/RS

 

 

 

 

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