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Escrito por Paulo Soriano   
Ter, 11 de Dezembro de 2012 00:00

 

 

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MORTOS ENTRE OS VIVOS

         Na capa de “Mortos entre vivos” lê-se uma citação do jornal britânico  Independent: “Lembra Stephen King na melhor forma”.

         É verdade.

      De súbito, uma tempestade elétrica  envolve   Estocolmo como uma mordaça angustiante,  rasgando  e represando  o ar pesado e quente.

         É impossível desligar as lâmpadas e aparelhos elétricos.  As sirenes recusam-se a parar.   A onda invisível de eletricidade estática reverbera nos crânios das pessoas – e dos ratos –,  que são tomadas por dores de cabeça cruciantes.

         De repente, ao fim de um dia torturante,  tudo assemelha voltar ao normal.

       Mas imperceptíveis lavas brancas caem do céu e provocam o maior dos horrores: os mortos, simplesmente,  retornam à vida.

       Nos hospitais e necrotérios,  instala-se o caos.  Nas casas, as pessoas recebem a visita estupefaciente de parentes recentemente mortos e é preciso lidar com essa  nova e  inimaginável situação.  Uma situação desconcertante, mas real, que exige respostas tão  impositivas quanto  inalcançáveis.

         Para Elvy, a quem a morte do marido foi um imenso alívio, o retorno  de Tora significa a volta de um fardo ainda mais pesado, que ela não pode suportar. 

        David, um comediante amargurado, perde a mulher num acidente de carro, mas logo  ganha algo terrivelmente desfigurado – um olho faltante, um tórax dilacerado –  em seu lugar.

         O jornalista Mahler invade um hospital e registra a aberração:  os revividos querem voltar para os seus lares e  precisam ser contidos por médicos e enfermeiros atônitos.  E vê,  em todo aquele horror,  uma imensa oportunidade.  Logo mais, com as  mãos nuas, fará o que fez  Louis Creed em Pet Sematary : resgatará a criancinha – o seu neto – do fundo da sepultura, e o levará para casa   cheio de esperanças, apesar do cheiro e da aparência da criatura ressurrecta.

         Os mortos-vivos parecem  inofensivos.  Agem como se fossem  autistas. Tudo o que querem  é retornar aos seus lares e, de alguma forma, permanecer entre os vivos, porque ali – acham, e é evidente  –  é onde deveriam estar. Mas serão emergencialmente recolhidos e confinados em um campo de concentração, enquanto as autoridades, perplexas, procuram  inutilmente decidir o que fazer com eles.

          Lindqvist parece ser um escritor despretensioso, mas não é.  Quer parecer espontâneo, mas está longe de sê-lo.  Há uma  elaboração  técnica, bem urdida, bem calculada, por trás da linguagem aparentemente simples.  Mas essa dissimulação  encontra  um brilhante  contraponto na densidade  da narrativa:  o retorno dos falecidos é uma ocasião maravilhosa para exumar os frágeis  ossos de nossas almas e  expor o tenebroso esqueleto  de nossa sociedade.

         O melhor, contudo, está na originalidade com a qual  ele revisita o velho tema dos zumbis.     “Mortos entre os vivos” é um romance angustiante, terrível  e  – graças ao que for que seja   – profundamente humano.

 

"Mortos Entre Vivos"

Autor: John Ajvide Lindqvist

Editora: Tordesilhas

Páginas: 356

Ano e local  de publicação: São Paulo,   2012

         

 

Comentários   

 
#1 Coveiro Virtual 12-12-2012 18:52
Muito bom. A resenha cumpre bem o papel de informar e persuadir o leitor sobre a obra.
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