 UM DIA COMO OUTRO QUALQUER (Marcio Araújo) – O demônio possuía uma pele escamosa e dela emanava uma aura azul. Os pés eram enormes, assim como enormes eram suas garras. Tufos de cabelos pendiam de sua fronte, enquanto presas assustadoras brotavam de sua boca... |
 IMPÉRIO DOS INFERNAIS (José Manuel Nunes Vilar) – Monstruosas figuras devoram a alma dos homens e mulheres, sobem às árvores e exibem ao nevoeiro preto as cabeças humanas ainda com restos da médula espinhal a fumear por estar quente num ar gélido... |
 O ESTRANHO (Guilherme Ferreira)- Olhei para o lado e pela primeira vez, depois do despertar, me deparei com um espelho. Nele, alguém completamente desconhecido. O olhar confuso me atormentou. Neste momento, senti um calafrio e lembrei de tudo.
 MEDO NUM PUNHADO DE VIDRO (Alisson Herbert) – Olhei de relance e “o outro” ainda me fitava do espelho, mudara o ângulo da visão para acompanhar a minha cabeça. Observava-me com aqueles olhos negros, sem vida, olhos de peixe morto, mas sem dúvida curiosos... |
 O OUTRO VAMPIRO (Paulo Valença) – A noite amadurece....Por que essa impressão de que está sendo perseguida? Há dias, sempre à noite, que tem a mesma sensação de que está sendo seguida. Mas, por quem, se não vê ninguém próximo?
|
 CANDEIO (Gustavo Gollo)- E surgiram das águas todos aqueles braços descamados que se agitavam e se agarraram à canoa em desespero e aos borbotões e que se aglomeravam uns sobre os outros...
 EU JÁ NÃO SINTO MAIS NADA (Suelen Marinho) – Pude ver um caixão. Um velório estava acontecendo naquele momento... A única coisa que fiz foi me aproximar do caixão para ver por quem minha mãe se debatia em dores. Levei um susto tremendo. Minhas pernas bambearam. Perdi o ar. Eu conhecia a pessoa que estava deitada. Eu conhecia a morta. Era eu. |
 A JUSTIÇA DA NOITE (Vítor Anchieta Sales) – Agora seu rosto está em fúria, seu corpo se desenvolve sombrio e, sombreando-me, e ele cresce monstruoso, em sua boca salienta caninos com sangue... |
 LÁGRIMAS DE LORENZO (Márcio Renato Bordin) Os seres moribundos vagueiam próximos à propriedade de Lorenzo. Sentem o cheiro que emana de sua caça. Sabem, sentem que ela está por perto, e, não tardarão a encontrá-la. Invadem o velho casarão vasculhando em todos os cômodos. Nada escapa aos olhos famintos destes nefastos visitantes.
 LINHA PARALELA (Gulherme M. Prat)– Os convidados se tornam figuras mortas, secas, podres...O casarão, que antes parecia um palácio dourado, agora se apresenta como um calabouço, as paredes douradas com quadros se tornam azul crepúsculo, e os quadros, instrumentos de tortura. |
 O ABISMO NEGRO (Junião) – De repente, uma forte e barulhenta corrente de vento de estranha origem varreu o local, imediatamente apagando todos os lampiões e lamparinas e envolvendo tudo num breu indescritível. Sem que o cruel homem pudesse esboçar reação uma voz macabra e assustadora ecoou pelo escuro: “encontrei você, maldito”... |
 O ABISMO NEGRO – [Conclusão] (Junião) Os esqueletos estavam dispostos de forma estranha, pareciam ter rastejado antes da morte, rastejado para lados opostos e confusos. Como se cada um tivesse tentado partir para uma inútil, dolorida, agonizante e desesperada busca por socorro sem rumo definido.
 QUANDO ESCUTAMOS VOZES (Jurandir Araguaia) – Um suor gélido escorre pela testa. A pessoa insiste nas palmas. Aproximo-me com calma e a figura confere com o meu pior pesadelo: meu pai bate à porta. |
 MORTE LENTA (Alessandro Reiffer) – Não sei por que, voava nas asas dos urubus a solene tranquilidade escura que precede as tempestades. E os passos cresciam em intensidade. Pesados. Noturnos. Tambores...
|
 O INFERNO DE MIKARO (Linx) - O sangue começava a se expandir dentro das veias e eles podiam sentir seus músculos rasgando aos poucos, até culminar numa explosão. Os pedaços dos dois voaram pelo ar, cobrindo todo o local...
 E ASSIM FIZERAM-SE TREVAS (Márcio Renato Bordin) – Mayara volta à sua jornada, deixando um motorista tomado por uma ira descontrolada. O cidadão volta a carregar sua pistola e disparar contra tudo e todos. Para onde segue a criancinha, sucedem-se tragédias... |
 A CASA (Márcio Araújo) – Não sei por quanto tempo gritei. Só parei quando senti o chão vibrar lentamente, sendo acompanhado por um breve zumbido. Nesse momento, uma luz circular se acendeu em cima de mim e começou a girar. À medida que girava, aumentava a velocidade e decompunha-se em outras cores. Fiquei apavorado e quando tentei fugir percebi que estava paralisado...
|
 A TRISTEZA DE JOAQUINA (Signeur de la Nuit) Assustado com a aparição, Alberto levantou-se para fugir rumo à porta de saída, mas já era tarde demais. Joaquina, com um movimento brusco, golpeou-lhe a cabeça com a garrafa, causando um sangramento ininterrupto que acabou por ocasionar a morte cerebral do jovem rapaz.
 O FANTASMA DA LINHA MAGINOT (Márcio Araújo) – E foi aí que meu avô testemunhou o evento mais assustador de toda sua vida. Um vulto apareceu na entrada da casamata. De normal somente a aparência humana. O seu corpo emanava uma tênue luminosidade esbranquiçada. Certamente aquele ser era imaterial. |
 SÁDICAS LEMBRANÇAS (L. Rex) – Havia duas fileiras de corpos nus e pendurados em duas fileiras de dezenas de árvores. Os corpos eram segurados pelos próprios intestinos, como que tivessem sido enforcados pelos próprios órgãos... |
 FELIZ NATAL, MILDRED (Rogério Silvério de Farias) Um velho como eu enlouquece aos poucos, na amargura de uma velhice solitária e rancorosa. Um velho como eu abraça o cadáver putrefato de sua amada retirado da tumba, na noite silenciosa e amarga. Um velho que antes de morrer, abraça a morta, Mildred, um corpo já em adiantado estado de decomposição...
 O PORTO DE SALLES (Marisa Espósito) – Não resistiu e abriu o caixão para ver o que tinha dentro. Uma linda jovem, extremamente bonita e com rosto angelical jazia dentro do caixão. Sentiu um impulso enorme de beija-la e quando se reclinava para tocar seu lábio ela abriu seus olhos e isso foi a ultima coisa que ele viu...
|
 ASAS DA MORTE/SERVO DO MAL (Paulo Valença) – - Um morcego... O pescoço queima. Esfregando-o com os dedos nervosos, sente o calor do sangue. A vista se turva. A cabeça roda e, ante a súbita fraqueza das pernas, o corpo se projeta na calçada.
|
 NUNCA DUVIDE DOS SEUS SONHOS (Mari Martins) O velho encarava Maryane sem mover um músculo da face. Por um segundo, ela viu um brilho maligno em seus olhos azuis. Seu corpo tremeu de medo. Aquele homem guardava dentro de si algo sinistro, algo mau...
 MESTRE DAS SOMBRAS (Jurandir Araguaia) – Subi as escadas correndo para o meu quarto e me joguei sob as cobertas tremendo de medo. Naquela noite senti um vento frio no aposento embora fosse verão de noites de bafo quente. Abri os olhos e vi os quatro olhos vermelhos dentro do quarto. |
 NUNCA TENTE ISTO! (Paulo Soriano) – Um tênue filete de fumaça esbranquiçada elevou-se do terno. O homem simplesmente evaporava. Quando os seguranças estenderam as mãos para ampará-lo, cingiram apenas a névoa alva que lhe escapava dos dedos em volutas fumarentas.
|
 A FACE DO SUSTO (PRIMEIRA PARTE) (Edgar Braga Buchara) Um daqueles corpos voltou-se para mim, e vi que em seu rosto não havia olhos, e mesmo assim estendeu a mão em minha direção, numa atitude desesperada de quem pede ajuda. Hipnotizado com o fenômeno, instintivamente, estendi a mão em seu socorro.
 A FACE DO SUSTO (CONCLUSÃO) (Edgar Brada Buchara) – O ambiente emanava uma quentura infernal e um cheiro fétido de enxofre queimado. Vários livros caíram das prateleiras, com suas páginas esvoaçando, liberando as criaturas diabólicas que faziam parte daquelas histórias macabras.
|
 A DOCE ILUSÃO DA NOITE (Rafael Gomes) – Mesmo sentindo a frieza daquela que já se fora, os monstros da noite ainda se deliciavam com a carne fresca até que se fartaram e largaram-na ao vento furtivo, um corpo inútil. A noite recebe mais uma para encher a sua lista... |
 SURVIVORS (Sayd Douglas) Ao chegar à porta, vi minha amada com o telefone em uma das mãos... O seu corpo estava estirado no chão e aquelas malditas criaturas a devoravam como se ela fosse um banquete...
 A VINGANÇA DE FERNANDO JUAN CUERVO (Rogério Silvério de Farias) – Dizia-se que o zumbi do motoqueiro Fernando Juan Cuervo, cheio de ódio e desejo de vingança, aparecia ao cair da noite, com sua motocicleta negra e infernal, para vingar-se de todos que passam por aqui... |
 O PORTAL (Lino França Jr.) – O escritor desviou o olhar das pessoas agonizantes, ao se deparar com um enorme e desfigurado cão negro. O tamanho descomunal do animal só não assustava mais do que a bocarra escancarada, exibindo presas gigantescas e deformadas... |
 A PROVAÇÃO (Edgar Braga Buchara) A criatura apareceu na beira do telhado com um olhar fulminante sobre ele, e entreabriu sua mandíbula num sorriso diabólico, mostrando uma enorme língua bífida; então, saltou resoluto...
 A ESCOLHA (Jurandir Araguaia) - A cena era de um angustiante e terrível desespero: uma mulher grávida, no alto de um edifício, apontava para a própria barriga uma enorme adaga. Encontrava-se na beirada, sobre o parapeito, de joelhos enquanto as lágrimas escorriam copiosamente pelas suas faces.
|
 O BANQUETE (Pauline Kisner) – Tratava-se de um banquete ao qual eu fora convidado...À minha frente achava-se uma figura de formas horrendas e retorcidas, por certo digna dos contos feéricos, cujos cabelos eram já cãs ralas... |
 ANTES DE VIR (R. Cordeiro) Eu só podia estar sonhando... não tenho amigos, nem namorada. As pessoas me olham de rabo de olho. Não recebo visitas, e quando recebo... É o diabo querendo desabafar! Ah, não é possível! Esse whisky deve estar com algum alucinógeno...
 O CORREDOR (Tânia Mara Souza) - Ali, bem à frente
de Bianca, da sua Bianca, um gigantesco escorpião branco retorcia-se.
Feroz, a pele estranhamente branca, o animal possuía no ferrão uma
ponta vermelha, que agitava ameaçador...
|
 O RENASCIMENTO (C.M.poco) – Por mais que tentasse se desvencilhar do ataque, as forças de Henry eram incomparavelmente superiores aos esforços de Luke. E quanto mais o monstro lhe sugava a vida, mais e mais sua mente divagava, fazendo com que perdesse a lucidez e o ânimo na luta... |
 MISSA MACABRA (José Manuel Nunes Vilar) – Quando desejou dar conta do que em realidade acontecia e pôr-se em pé, achou-se extraído do seu corpo e olhou o copo de licor escachado no firme. A sua imagem era pálida e rígida.
 FVE (Cláudio Quirino) - Uma menininha levitava, trazendo o cão pendurado pelo pescoço numa forca de corda. Da barriga do animal, o risco vermelho deixava à mostra as entranhas do intestino delgado. O riso nos lábios da criança era notável - mais ainda, horrível.
|
 ESTRADA PARA A AGONIA (Rafael Valle) – Ao abrir os olhos, Laís percebeu que já não mais estava à beira da pista. Tateando, tocou o que parecia ser uma lanterna. E entrou em total desespero quando viu que se encontrava trancada num porta-malas com um estranho desacordado, algo que julgava ser um cadáver... |
 NO EXTREMO DO AMOR E DA MORTE (Alessandro Reiffer) – Por onde quer que eu andasse, somente o que via eram casas semidestruídas, cadáveres de homens, mulheres, crianças e animais em miasmáticos apodrecimentos...Aproximei-me da pequena mata. Então avistei mais um corpo, mais um cadáver. Era o corpo de uma mulher belíssima. Não parecia ser um cadáver. Talvez dormisse...
 O GUARDIÃO DO FAROL (Pérsio Sandir D'Oliveira) – As criaturas andavam eretas, como seres humanos, mas os corpos eram cobertos de escamas verde-azuladas; os ventres eram branco-acinzentados, e as cabeças lembravam um peixe enorme, com enormes olhos sem pálpebras; as patas eram membranosas e dotadas de garras. |
 O VISITANTE NOTURNO (Paulo Valença) - Numa carícia passa a mão sobre a cabeça do animal, que rápido, vira-se e morde-lhe o pulso. Então, decepcionado e sentindo o ferimento, vingativo solta a tapa com toda força que consegue. O gato miando cai adiante, e silencioso, fixa o homem. “- Ah, desgraçado!”
|
 A MORTE (Mari Martins) – Depois daquela noite meus olhos não fecharam mais, e uma sombra foi formando na parede e como um lençol negro caiu em cima de mim. E foi como tudo começou. Mais uma vez a morte não negociou, ela nunca negocia, apenas cumpre ordem. Todas as noites ela vem e usa meu corpo, depois vai embora. .
 A BATALHA DAS LÂMINAS RELAMPEJANTES (Rogério Silvério de Farias)- O pó mágico desencadeou algo fantástico e assustador sobre todos nós, redobrando nossas forças, tornando-nos poderosos. Nossas espadas beberam o sangue dos aturdidos inimigos com maior rapidez, força e crueldade, como se estivéssemos possuídos pelos demônios furiosos...
|
 ME CHAMA QUE EU VENHO (Mari Martins) – Katy abriu os olhos e viu um rosto de homem próximo ao seu. A cabeça tinha o formato de uma lâmpada e era tão lisa que brilhava. O que a fez quase desfalecer de terror foram os olhos. Sem a íris, eram apenas dois buracos redondos vermelhos como brasas... |
 O SANTO
(Luciano de Alencar) – O horror de “Sábado XV” não acabou. A terrível saga do legista banhado de sangue - que acompanhou o caso do suicídio em massa ocorrida em uma casa da região nobre da cidade - continua...
 A CHÁCARA (Mari Martins)-As lâmpadas violetas estouraram quase me matando de susto. Um halo escuro começou a circular por todo o salão e desceu sinuosamente, parando à minha frente. Devagar foi formando uma figura de homem como num mata borrão...
|
 A CASA ABANDONADA (Lucca Bacal) – Eles entraram, a porta ainda aberta, o ar era viciado e com um leve cheiro de carniça... Dante olhou, grossas gotas de suor escorreram pela face. Sim, havia um homem naquele canto, que estava completamente vestido de preto. |
 ANIVERSÁRIO DUMHA ANTIGA MORTE
(José Manuel Nunes Vilar) – Com grande satisfação, os Contos Grotescos acolhem em suas páginas a narrativa do escritor galego José Manuel Nunes Vilar; um conto que aborda as recordações de um antigo assassinato.
 O BEIJO (Susana Lorena)-Ela o empurrou para a cova com a ponta da bota. Ele havia caído de barriga para cima. Seus olhos piscavam com força. Provavelmente, ele deveria estar sentindo alguma dor... Mas não iria durar muito tempo...
|
 PRESSÁGIO DA PRÓPRIA MORTE (Lino França Jr.) – Ele não conseguia organizar seus pensamentos. Notou a cabeça vazia, e, então, como letras gigantes em uma tela de cinema, a visão invadiu sua mente... finalmente ele recebeu o aviso: VOCÊ VAI MORRER HOJE !!! |
 UMA NOITE SEM LUA
(Cretchu) – De repente, percebi que alguma coisa estava me seguindo... Virei-me para ver o que era, mas não pude perceber nada. No momento em que parei, o som de passos cessou... Apressei meus passos, mas algo estava ainda me seguindo. Quando eu parava, ele também parava. Ao prosseguir, ele me seguia.
 UMA COISA NA JANELA (Jurandir Araguaia) O que pode nos assustar mais do que um rosto do lado de fora da janela? E se esse rosto fosco te aparecer em noite de relâmpagos? Imagine que, ao cair de um deles, a forma se ilumine mostrando ao lado do rosto, grudadas ao vidro, duas mãos espalmadas... |
 O PRAZER DO DEMÔNIO (Mari Martins) – Ele sentiu uma dor lancinante quando seu corpo bateu na cama de colchão fino. O monstro caiu junto e ficou sentado em seu corpo, observando-o com um sorriso escarninho. Rasgou-lhe o short abruptamente, passando a língua enorme nos lábios disformes. |
 AUSÊNCIA
(Lucca Bacal) – Quando os dois estavam frente a frente e Vitor sentiu a quente respiração da estranha silhueta humanóide em seu rosto, ele entendeu que não era uma questão de coragem, que ele iria morrer...
 OS URUBUS DEMONÍACOS (Alessandro Reiffer) – Um gigantesco bando de urubus assomou como uma mancha negra nos horizontes enfebrecidos... As aves pousaram próximo a Esteban, encharcadas de sangue e adejando triunfantes suas asas enormes na chuva infernal.
|
 DEPOIS DA MEIA-NOITE (Lino França Jr.) – Frenou. Uma mulher andava em sua direção de forma desengonçada. Usava um vestido branco que mais parecia uma camisola comprida. A cabeça pendia para um lado, e no seu pescoço desciam duas finas linhas vermelhas.
|
 AS ROSAS DE MINHA MÃE
(Cretchu) – As rosas cresciam selvagens, enroscando-se umas às outras. Já ocupavam toda a área... Dos cômodos da casa, poucos eram transitáveis. Ivan Bongiorno e sua mulher dormiam num canto da sala, entre as rosas, espetando-se constantemente...
 O REI DE KRYMLLA (Rogério Silvério de Faria) – Sim, eu sei que achas estranho e fantástico o fato de eu estar comunicando-me contigo, em sonhos, neste momento, aqui, sentado no trono de diamante, ouro e topázio de Thumlla..
|
 O MISTÉRIO NA MANSÃO DOS BRENATT (Cláudio Quirino) – Quando a luz do relâmpago incandesceu o espaço entre ambos, conteu um grito de horror ao ver Thiago coberto com sangue - uma faca cravada no estômago, ainda. - Ele estava morto, com um bilhete velho na mão.
|
 DIÁRIO DE BORDO - MISSÃO 00589
(Tainá O. Kind) – Em uma tarde saímos para procurar alimentos e, na volta, algumas horas depois, o navio estava longe da praia, tão longe... O desespero se misturou aos gritos dos meus três companheiros... Estávamos de fato naufragados.
 MANUSCRITO ENCONTRADO NUM CASEBRE ABANDONADO (Rogério Silvério de Faria) – Bem-vindo ao Necrotron, um poderoso e fantástico aparelho eletrônico que revolucionaria a Ciência e a Religião, possibilitando o contato imediato dos humanos com regiões e habitantes de esferas interdimensionais proibidas, ou seja, contato com o próprio além-túmulo.
|
 SÁBADO XIV (Luciano de Alencar) – Eu fui andando, pasmo, pelo porão. O sangue no chão era viscoso e prendia meu pé ao caminhar. Conforme mexia meu pé na piscina, o sangue inteiro agitava-se, trazendo à superfície alguma parte de um corpo. Um olho azul, alguns dedos, um pé...
|

O PUNHAL (Frank Saiu)- Mais um estrondoso trovão e a luz sumiu-se... Calafrios percorriam minha espinha. Comecei a ouvir sons como os de passos sobre o piso de madeira que se aproximavam descontinuamente, mas que até hoje não sei se foram reais o produzidos pela minha mente...
|
 NÃO DURMA! ( A. S. Vieira) – Toda noite, assim que Samira fechava os olhos, uma criatura lhe aparecia em sua cabeça. Era de forma humana, mas completamente careca, não tinha olhos e sua boca estava costurada em um pavoroso sorriso...
|
 A ÚLTIMA AULA NO JARDIM DE INFÂNCIA (Gustavo Serrate) – A boca da professora abriu e um resquício de bílis vazou sobre o colo, sujando a saia nova. Arreganhou os dentes e cravou uma mordida no bracinho infantil da Luiza... Ela não resistiu por muito tempo.
|

PARADOXO (UMA PARÁBOLA) (Paulo Soriano)- Como era bela a morte! Nada daquela tradicional imagem do ceifador. Quem me tocara o ombro e me sorrira era uma bela mulher. A mulher mais bela que já vira...
|
 A MULHER QUE TEMIA A CHUVA ( A. S. Vieira) – Uma senhora marcada por tragédias domésticas abriga um estranho hóspede, um colecionador de algo precioso e inusitado...
|
 A BELA DA NOITE (Carlos Henrique Fernandes Gomes) – Ela sentiu duas agulhas grossas perfurarem seu pescoço, rasgando a carne. Ele parecia gozar com as presas enterradas no pescoço fresco da prostituta.
|

PALMAS PARA A MORTE (Luciano Barreto)- Sua missão no planeta Terra estava concluída. Ele teria de partir. Mas restava-lhe outra opção.
|
 ESMOLA ( Alisson Herbert) – O facão, que a mãe impunha, desceu e travou no osso do pulso direito da criança...A pedra desceu sobre a lâmina enegrecida e o osso se rompeu... |
 A FAZENDA DOS FLORENCE (Henry Evaristo) – Olhei para a escuridão que se estendia ao longo e divisei um vulto grande equilibrando-se sobre a malha farpada de aço. Assemelhava-se a uma grande ave que, empoleirada na cerca, tivesse as asas abaixadas...
|

PERDIÇÃO PELO AMOR (Rafael Gomes)- Um olho lhe saltava de uma das
órbitas e no lugar do nariz havia apenas um buraco escuro...E a boca, antes graciosa,
era agora um poço de lamentações que lançava um bafo denso de podridão...
|
 PERMANEÇAM DENTRO DE SUAS COVAS (Diego Santos) – Tudo começou com o suicídio
de um coveiro chamado Jacó. Tristemente, o bondoso Jacó acabou se deparando com
uma verdade tão aterradora e intolerável, que acabou dando cabo da
própria existência. Digo isto porque sei o que ele viu... |
 O BAQUE NO FUNDO DO ABSIMO (Alessandro Reiffer) – A mulher estancou e voltou-se em minha direção... Diante de mim estava um rosto onde somente se distinguia dois olhos escuros e doces com chamas violetas que me fitavam intensamente...
|

ARQUIVO MORTO (Andreas de Oliveira)- Caindo no chão, Paulo derrubou alguns
armários, e foi quase que soterrado por documentos antigos. O cheiro
de mofo e a poeira que havia no ar o sufocavam. Arrastando-se
na escuridão, Paulo sentiu mais uma vez a mão, agora lhe esmagando
a perna...
|
 O CONDENADO (Jurandir Araguaia) – A um passo da liberdade, após dez anos de reclusão, ele põe em prova a própria fé. |
 A HORA DE TEMER JÁ SE FOI (Suelen Marinho) – Samantha acordou sobressaltada ... Parímono, o chaveiro, aquele que conduz os condenados até os portais da morada eterna, a aguardava.
|

O FRANCO-ATIRADOR (Alexandre Gazineo)-
Fechou o olho. O esquerdo. Apurou a mira. Exata. Pela lente da mira, via-o como se centímetros o separassem...
|
 SEIVA (Alisson Herbert) – Quando o casal se mudou para a nova casa, ladeada por uma árvore sombria, não poderia imaginar os horrores que estavam por vir... |
 O INFERNO DE MALAKAI (Suelen Marinho) – Numa noite fria, em que chovia torrencialmente, ele recebeu a visita de um demônio... |

O RETRATO (Pedro Pazelli) – O retrato paterno, que lhe rendia doces lembranças, fora mutilado por uma mãe irascível. Todavia, milagres às vezes acontecem... |
 NAQUELE QUILÔMETRO (Fernando Ferric) – Numa certa manhã, um ônibus foi encontrado no acostamento. Curiosamente, não havia passageiros e nem motorista, mas todos os pertences
ainda estavam no local...Que horror circundava o estranho acontecimento? |
 SOUL EATER (Clísthènes Duarte) – Após o assédio, a boca da mulher estava aberta, emitindo o grito surdo que ainda ecoava na cabeça do agressor. Seu corpo murchara, transformando-se num monte de ossos e pele ressequida. Era uma múmia, agora... |

O OSSOS NEGROS (Diego Santos) Repórter incrédulo entrevista o autor de um livro sombrio, que anuncia a iminência da ação dos cavaleiros do Apocalipse. |
 A NÉVOA DO MAUSOLÉU DOS MESMER (Macabeu) – O velho guardião de um cemitério confronta-se com as brumas fantasmagóricas que se espraiam a partir do mausoléu de uma maldita família. |
 A MANSÃO DO MENINO FANTASMA (Pedro Pazelli) – Ao se mudar para a nova casa, a família Gomes Pereira não poderia imaginar que a mansão vizinha ocultava uma dolorosa tragédia... Mas outros horrores estavam por suceder... |

O QUE VEM COM O SILÊNCIO (Andressa Sarnik) O que seria o demônio que a atormentava quando o silêncio se fazia absoluto? |
 O ANDARILHO (Vítor Almeida) – A coisa emersa da noite usava um manto negro... Sob o capuz, apenas uma boca descarnada, sem lábios, que sorria de forma grotesca. Asas negras e fibrosas envergavam-se, saindo de suas costas... |
 O INVASÃO DE SANTEREZ (Henry Evaristo) – Seres de pesadelo saltam abruptamente das sombras do bosque e avançaram ferozes para a cidade adormecida... |

A FÓRMULA (Rafael Gomes) Quantas vidas ele salvara! Mas, quanto a si próprio...Ele, farmacêutico experiente, não conseguia terminar a fórmula salvadora... |

NA NOITE FRIA (Oscar Mendes) - É noite de quinta para sexta-feira. Uma fina e gélida chuva cai sobre a cidade deserta... E, da escuridão, assoma a criatura sedenta de sangue... |

LADY LIDIANE (Leonardo Nunes Nunes) Ele morrera... e cada lágrima de Lady Lidiane, caída sobre seu ataúde, fazia ressoar-lhe aos ouvidos mortos fúnebres melodias... |

INSANIDADE (Andressa Sarnik) - Os pesadelos se sucediam... Algo faltava para que pudesse saber por que ocorriam, ou para onde o levariam... Chegou a pensar que à loucura. No entanto, sabia que um dia descobriria o que havia por trás desses sonhos insanos..
|
 JESUS E A SUA PERDIÇÃO (Linx) – Na sarjeta, ele encontrou Jesus... e a própria perdição... |

ÀS VEZES, ELES VOLTAM (Cláudio Quirino) Adolescentes em volta de uma tábua ouija. Uma brincadeira com sérias conseqüências... |

O CASEBRE (Oscar Mendes) - Ele se refugia na choupana de um homem negro e velho... E tem um encontro com o sobrenatural... |
 BOTIJA (Alisson Herbert) – Um viajante encontra uma botija repleta de jóias e ouro...e a própria perdição. |

VÔO ZERO HORA (Mari Martins) No aeroporto, Lucy entrega-se a prazeres morbidamente estranhos... |

LOUCURA! (Jeduartejr) - Abandonado pela mulher, ele emerge da sarjeta em busca de vingança... |
| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |